sexta-feira, 23 de junho de 2017

Não sei se uma imagem vale mais do que mil palavras

Sei que na minha visão do mundo escolho sempre as palavras, apesar de me ter proposto há uns tempos atrás a arranjar mais imagens daquilo que vejo, por adorar fotografia, mas não é fácil para mim, quando olho para o espigueiro no meio da aldeia, para a flor amarela e solitária no meio do campo de erva, para o cão deitado no muro, para a idosa à sombra da árvore, para as flores coloridas da casa na descida, para o topo da montanha visto antes de começar a subida ou para a paisagem incrível que vejo lá de cima, quando finalmente a subida acaba, acho sempre que tenho de mostrar tudo ao mundo através das minhas palavras. Escolho sempre conjugar o que sinto, o que vejo e o que faço, as palavras são a minha primeira opção. Preciso arranjar mais imagens, não só para arranjar forma de mostrar ao mundo o quanto o meu mundo é belo, preciso arranjar mais imagens, para conseguir arranjar também mais palavras e descrever e conjugar tudo aquilo que me inspira, tudo aquilo que me apaixona, tudo aquilo que existe. Não sei se uma imagem vale mais do que mil palavras, ou se as palavras quando bem interpretadas valem mais que mil imagens, sei que ambiciono que as imagens e as palavras se confundam nos meus recantos mais profundos e que a minha visão do mundo seja uma união perfeita.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

As Bloggers

Já não me lembro quando a comecei a ler, ou ela a mim, sei que foi há alguns anos atrás e que o facto de ambas pedalarmos fez com que nunca mais deixássemos de nos ler. Vi-a pela primeira vez num NGPS, sem nada combinado, ficamos a saber pelos posts do dia que o desafio seria comum às duas. Passaram alguns anos entretanto, de leituras, partilhas e muito mais, até o ano passado, quando eu, já não me lembro muito bem como nem porquê a desafiei a vir comigo na minha viagem. Somos a prova que se pode gostar e interpretar uma pessoa por aquilo que ela escreve e que compreendendo as entrelinhas podemos mesmo conhecer essa pessoa, somos a prova de que não são precisas muitas palavras para dizer um gosto de ti. Foram os nossos blogues que nos fizeram confiar, eu confiei nela e naquilo que lia quando a chamei para o meu grupo de amigos, para a viagem, para minha casa e para o meu mundo, ela confiou em mim e naquilo que lia quando aceitou, quando apanhou o comboio e veio, quando montou o alforge e saiu de casa para uma aventura incerta. Este ano repetimos a aventura, voltei a desafiar a Gaja Maria e ela voltou a acreditar em mim, ainda bem que o fizemos, foi uma viagem muito especial esta. A Gaja Maria e a Loira há muito que deixaram de ser bloggers para serem amigas, com muito em comum. Foi bom, foi muito bom partilhar a grande viagem do ano com ela, sei que na próxima aventura não vai ser preciso convidar, ela vai lá estar, porque já faz parte. Gosto dela, gosto mesmo, gosto tanto que estava capaz de publicar uma foto das duas, tirada por trás, enquanto conversávamos e pedalávamos lado a lado, uma linda visão daquilo que foi a nossa viagem, só não publico porque a desgraçada é muito mais magra que eu.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Se a vida te der limões...

Todos os Caminhos me mudam. Uns com mais, outros com menos intensidade, mas quando saio de casa com a bicicleta carregada do que é essencial à sobrevivência e à continuação da viagem em caso de azar e nada mais, sei que hei-de voltar diferente. É impossível ser a mesma pessoa depois das experiências e dos ensinamentos que cada viagem nos faculta. Ainda a digerir os meus 5 dias de pedalada, os 480 km e os 7000 mt de acumulado de subida debaixo de um calor intenso, abrasador, quase insuportável, tenho já a certeza que esta viagem me ensinou a relativizar. Cheguei à meta a dar mais importância a tudo o que O Caminho me deu de bom e a desvalorizar aquilo que me deu de mau. Cheguei à meta calma, serena, tranquila e em paz, mesmo que tudo apontasse para que assim não acontecesse. 
Naquele que considero o dia mais duro da viagem, quando tinha a garganta completamente seca e arranhada pelo calor tórrido que se fazia sentir olhei para a direita e vi uma máquina de água com água fresca e vários limões, no muro de uma casa de alguém que sabe que quem lá passa precisa de mimos e de esperança. Água fresca e um limão era tudo o que eu precisava naquela hora. Água fresca e um limão, coisas tão básicas na nossa vida e às quais não damos nenhum valor. Água fresca e um limão, que me renovaram a alma e me fizeram sorrir do fundo do coração. Cheguei à meta a dar mais importância a tudo o que O Caminho me deu de bom e a desvalorizar aquilo que me deu de mau. Ainda antes do final da viagem recebi notícias da tragédia que acontecia no meu país, nos locais por onde eu tinha passado ainda uns dias antes, a pedalar em direcção a um mundo só meu, só nosso, de quem percebe o que procuramos quando saímos de casa assim. Não vale a pena dar importância às pequenas coisas que nos acontecem de mau, um dia destes a vida encarrega-se de nos pôr à prova e nessa altura já o mundo será demasiado duro. Por enquanto, se a vida te der limões faz limonada. Faz limonada e segue Caminho, porque a limonada pode ser tudo o que tu precisas naquele momento.

terça-feira, 20 de junho de 2017

E foi então que momentaneamente perdemos um dos elementos do grupo

E esperávamos por ele, na beira da estrada, encostados a uma casa, bicicletas carregadas e demasiado pesadas, nós a aproveitar a sombra e o tempo de descanso, nós a aproveitar para respirar profundamente enquanto tentávamos esquecer o excesso de calor, nós a falar de quilómetros, de altimetrias e de médias, nós a fazer contas do tempo que faltava para o destino do dia, nós a pensar nos dias e nos quilómetros que se seguiam, nós à espera, talvez cansados, talvez com sede, talvez com fome, de certeza a morrer de calor, quando a dona da casa, já idosa, pele gasta pelo tempo, abre a porta e ao ver-nos diz com toda a convicção do mundo que: "Meu Deus, cada vez há mais gente doida!"

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Loira is back

Pedalei durante 5 dias. Fiz a ligação do Caminho de Santiago entre Fátima e Santiago de Compostela. Percorri cerca de 480 km com quase 7000 mt de acumulado de subida. Enfrentei subidas intermináveis, descidas incríveis, quilómetros e quilómetros de um calor infernal. Diverti-me imenso, vivi dias de emoções intensas e aventura, aproveitei cada bocadinho de Caminho e cheguei à minha meta feliz, muito feliz. Fechei um ciclo de vida. Talvez tenha ainda muito para absorver e para escrever sobre esta viagem e sobre este grande desafio, por enquanto só uma fantástica e brilhante conclusão: a melhor merda que inventaram até hoje foi o secador de cabelo, se eu já amava o secador de cabelo a partir de agora vou idolatrar o secador de cabelo. Por favor, alguém que classifique o secador de cabelo como um bem de primeira necessidade e que explique à humanidade que o secador de cabelo é essencial para a sobrevivência da raça. Alguém que arranje maneira de eu conseguir secar o cabelo quando ando a viajar em autonomia. Obrigada.

terça-feira, 13 de junho de 2017

A vida é feita de desafios

E eu só sei viver assim, a planear, a sonhar, com novas metas para alcançar, com novo chão para conhecer, com novos caminhos para descobrir, com novas montanhas para conquistar, com novas histórias para contar, com novas aventuras na pele e na alma. A vida é feita de desafios e é um grande desafio que tenho pela frente nos próximos dias. Volto daqui a cerca de 500 km e de muitas emoções. Que seja um Bom Caminho para mim, para nós, que seja um desafio superado. 

domingo, 11 de junho de 2017

Os meus livros #20 - As velas ardem até ao fim (Sándor Márai)




Sinopse

Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de Chopin, mudou radicalmente de aspecto. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um, passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se um segredo de uma força singular...

Os meus livros #19 - Smilla e os mistérios da neve (Peter Hoeg)



Sinopse 
Smilla Jaspersen tem a neve em muito melhor conta do que o amor. Ela é especialista das propriedades físicas do gelo e vive num mundo de números, ciência e memórias. E, agora, está convencida de que ocorreu um crime terrível cuja vítima é Isaiah, um rapaz de seis anos. Para além da amizade que os unia, Smilla e Isaiah tinham em comum o facto de pertencerem à pequena comunidade de esquimós a viver em Copenhaga. Quando as conclusões do inquérito oficial apontam para acidente, Smilla suspeita. E à medida que reúne informação sobre o caso, apercebe-se das suas sombrias ligações. De uma expedição secreta à Gronelândia a uma estranha conspiração que data da Segunda Guerra Mundial, muito parece estar por explicar. Pelo seu amigo e por si, ela embarca numa jornada arrepiante de mentiras, revelações e violência que a levará de volta ao mundo branco que em tempos deixou para trás e onde um segredo explosivo aguarda debaixo do gelo…

sábado, 10 de junho de 2017

Reler-me #31

Não sei viver no meio termo

Quando gosto, amo. Quando não gosto, odeio. Na minha vida, ou estou a subir, ou estou a descer, se me parece que o caminho é plano há demasiado tempo arranjo maneira de o tornar mais emocionante. Não sei fingir. Não sei dizer que sim quando é não, não sei dizer talvez quando a resposta é sim. Não viro para a direita quando quero seguir em frente, não volto para trás se acho que esse não é o caminho certo. Não faço fretes a ninguém. Não sei disfarçar estados de alma nem sentimentos. Não sei sorrir quando estou fodida, nem sei mentir, mesmo quando é preciso. Sou sempre sincera, mesmo quando saio prejudicada. Ou faço tudo, ou não faço nada. Sinto tudo o que faço e tudo o que digo, e só não faço ou digo tudo o que sinto porque sei que não posso. Quando gosto, amo. Quando não gosto, odeio. Não sei viver no meio termo. Possivelmente não sei nada da vida, mas vivo-a como se tivesse todas as certezas do mundo. 

Junho de 2015

Os meus livros #18 - O Rebate (J.Rentes de Carvalho)




Sinopse
Numa aldeia de Trás-os-Montes a chegada de um dos seus filhos emigrados para França, que vem endinheirado e casado com uma francesa provoca um verdadeiro cataclismo. Em França o Valadares, trabalhando na terra como um mouro, é premiado com a fortuna do patrão desde que case com a filha — moça doidivanas e descontrolada. Valadares e a mulher vêm a Portugal quando das tradicionais festas da aldeia. A partir deste momento a perturbação causada pelo comportamento de ambos — ele, através do dinheiro, buscando uma ingénua e primitiva glória no seu burgo; ela, usando a sedução e a provocação erótica na fauna masculina aldeã — desencadeia um rol de acontecimentos desgraçados que o rebate final expressa eloquentemente.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Estou tãaaaaooooo deprimida...

Em breve vou de viagem, mais uma daquelas grandes maluquices ao pedal que só uma doida varrida se lembra, mais uma daquelas merdas sobre as quais estou sempre a escrever e que já ninguém tem paciência para ler, mais uma daquelas tretas da autonomia total e de um grande desafio e do eu sou a melhor do mundo, ou pelo menos é assim que me vou sentir se conseguir chegar ao final e superar mais esta grande etapa na história das loucuras que eu invento para fazer. 
E se vais de viagem da forma que mais gostas porque raio estás tu deprimida, Loira? Perguntariam vocês, se andasse alguém por aí. É triste, é muito triste, é mesmo muito triste. COMO??????? Como é que uma pessoa que tem dezenas e dezenas de roupas de ciclismo consegue escolher somente duas para usar em cinco dias? Como é que alguém com o maior roupeiro da história das fashion ciclistas do mundo e arredores consegue decidir somente dois equipamentos no meio de tantos? COMO??????? COMO???????? Alguma alminha caridosa me consegue explicar? Já vi gente a cortar os pulsos ou a saltar da ponte por menos, por muito menos.

Os meus livros #17 - Antes de te conhecer (Lucie Whitehouse)



Sinopse

Hannah é uma mulher independente e determinada que não quer seguir os passos da sua mãe amargurada. Mas através de amigos, conhece certo verão, em Nova Iorque, Mark Reilly, e apaixona-se de tal modo que muda de ideias sobre o casamento. Agora vive na sua elegante casa em Londres, com um marido que adora e sente-se feliz. Mas quando ele não regressa de uma viagem de negócios aos EUA e as horas de espera se alongam em dias, Hannah começa a duvidar. Porque é que os colegas do marido acham que ele está em Paris, não NI? Porque não há registos seus no hotel? E quem é esta mulher que lhe anda a telefonar? Hannah começa a investigar a vida do marido e descobre coisas que a fazem duvidar de tudo o que julgava saber sobre ele. Da história de encantar que vive, é levada para um mundo de violência e medo. Mas será que os segredos de Mark se destinam a protegê-lo a ele ou a ela?

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Os meus livros #16 - As quatro vidas do Salgueiro (Shan Sa)

SINOPSE


Uma grande história de amor, uma travessia da China eterna, onde se cruzam fantasmas e guerreiros, as mulheres caminham com os pés enfaixados e os homens caçam com falcões.

Na China, o salgueiro-chorão simboliza a morte e o renascimento. Será que um ramo de salgueiro se pode transformar numa mulher condenada a perseguir o amor ao longo dos séculos? Além de contar a epopeia destas «almas errantes» em quatro períodos, correspondentes a outras tantas (e diferentes) Chinas – do bulício dos sonhos e poeira de Pequim, aos silêncios da Cidade Proibida, da era das cortesãs vestidas de seda à Revolução Cultural, das estepes cavalgadas pelos tártaros aos arrozais regados com o sangue dos Guardas Vermelhos –, Shan Sa põe em cena a paixão: dois seres que se procuram e se perdem. Tudo os separa, todas as tragédias de um povo antigo se interpõem entre ambos. No meio do tumulto, só mesmo um milagre os poderia unir... As Quatro Vidas do Salgueiro são uma história de amor que percorre os labirintos da memória chinesa, desde a dinastia Ming aos últimos sobressaltos do Império Chinês. Uma bela fábula com o sabor do chá amargo.

Reler-me #30

Nem sei como escrever isto. ÀS VEZES TER UM BLOG É UM BOCADO DEPRIMENTE. Pronto, já está.

No início do ano decidi aproveitar a minha paixão pela leitura e comecei a publicar todos os livros que leio, com a única intenção possível, a de partilhar. Houve um livro pelo qual me apaixonei e depois de o publicar várias foram as pessoas que me disseram que o tinham lido por minha culpa, minha tão grande culpa. Não consigo explicar o quanto isso me deixa feliz. Entre outros, recebi um e-mail de uma pessoa a dizer que tinha lido o meu post e que queria saber mais sobre o livro, trocamos algumas ideias. Passado uns dias novo e-mail a dizer que ia comprar o livro, mandava-me o link e pedia para eu certificar que sim, que aquele era de facto o livro. Eu disse que sim, que era o livro, mas mandei o link da editora e disse para comprar no site deles, uma vez que naquela semana o livro estava com 40% de desconto. A pessoa agradeceu-me imenso a atenção. Algum tempo depois escrevi um post sobre julgar os livros pela capa e voltei a falar do mesmo livro. Novo e-mail a dizer que agora sim, queria mesmo ler o livro. Passado uns dias novo e-mail a dizer que sim, que tinha comprado o livro e que ia tratar de o ler. Dias depois novo e-mail a dizer que sim, que já tinha começado a ler o livro e que estava a gostar bastante. A todos os e-mails respondi, sempre trocando ideias sobre o livro e fui pedindo para no final da leitura me dar uma opinião sobre o livro. Mais uns dias e novo e-mail para me dizer que sim, que já tinha lido mais umas páginas e que o livro era mesmo bom. Eu respondo ao e-mail mais uma vez, feliz da vida pela partilha e a troca de ideias sobre o livro e a pessoa volta a responder-me com a seguinte pergunta: "Tu leste-o?" SOCORRO!!!

Junho de 2015

quarta-feira, 7 de junho de 2017

O admirável mundo novo

A pessoa que vive no mesmo prédio que eu e que além de não responder ao meu simpático e sorridente "bom dia" ainda me olha de lado antes de virar a cara é a mesma que uns dias depois me pede amizade no facebook. 

Os meus livros #15 - Mizé . Antes galdéria do que normal e remediada (Ricardo Adolfo)





SINOPSE
Nos arredores de Lisboa, Mizé, a boa da vizinhança, tenta conciliar os sonhos de uma vida de estrela com a rotina entre o salão unissexo e o bairro social Esperança. Mas não é fácil. Ela quer mais, muito mais. E está preparada para usar tudo o que tem para o conseguir. Por outro lado, Palha, que largou as saias da mãe para casar com Mizé, só quer manter o pouco que lhe resta - a começar pelo emprego a vender batatas fritas. Numa noite de enganos, Palha descobre aquilo que nunca quis ver. Desesperado, parte em busca da inocência de Mizé e acaba por desenterrar a sua própria mentira.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Reler-me #29

Sou movida a paixão

Apaixono-me todos os dias, uma vez por dia, várias vezes por dia, imensas vezes por dia. Apaixono-me pela mesma coisa diversas vezes. Apaixono-me por coisas novas a todo o instante. Apaixono-me a cada minuto. É à paixão que vou buscar toda a minha força, toda a minha energia, toda a minha alegria, toda a minha forma de ser. Sou movida a paixão. Sem paixão nada me faz sentido, nada me é possível. Não sei viver senão apaixonada. 

Maio de 2016

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Loira, a conquistadora (Este post contém imagens chocantes, não aconselhadas aos mais sensíveis)

Venho de muito longe e atravesso montanhas para lá chegar, olho em frente e vejo o cume que tenho de conquistar, talvez seja ali o topo do mundo, ou o topo do meu mundo, olho a montanha de frente e respiro fundo, dou a primeira pedalada com o respeito e a devolução que ela merece, que todas as montanhas merecem, vou conquistando lentamente pedaços dela, cada vez mais perto do final, mas o final está sempre mais longe do que aquilo que parece. Chegar ao topo da montanha é uma sensação incrível, conquistar este chão é sempre muito especial, não é só mais um cume, é o infinito que alcançamos, é o mundo aos nossos pés. Fico um pouco por lá a perder-me na paisagem e vou embora, não sem antes olhar para trás várias vezes, orgulhosa de mim, era ali que eu estava, foi aquele cone impressionante no meio da paisagem que eu conquistei, que eu consegui alcançar, é dali que eu venho, do topo da grande montanha, do topo do mundo. Foi só da minha energia e da minha coragem que eu precisei para lá chegar. Desviem-se que eu tenho infinitas montanhas para alcançar. Desviem-se que eu vou conquistar o mundo.





*Monte Farinha, Senhora da Graça

Os meus livros #14 - A Valsa do Adeus (Milan Kundera)



SINOPSE

Numas termas, sete pessoas em busca da felicidade envolvem-se e afastam-se ao ritmo de uma «valsa» orquestrada por Milan Kundera com o seu habitual humor. Ruzena, uma bela enfermeira, Klima, um músico de jazz, Jakub, antigo militante e vítima das depurações, o doutor Skreta, diretor dos serviços de ginecologia das termas e Bertlef, o americano, são algumas das personagens que durante cinco dias se debatem nesta Valsa do Adeus, construída com o rigor de um romance clássico e fruto de uma rara capacidade de síntese e do forte poder inventivo, que caracterizam as obras do autor.

«Se queremos compreender o mundo temos que abarcá-lo em toda a sua complexidade, na sua essencial ambiguidade» Milan Kundera, sobre A Valsa do Adeus

domingo, 4 de junho de 2017

Reler-me #28

Sempre sonhei...

Dou por mim demasiadas vezes a dizer um sempre sonhei. Sempre sonhei fazer isto. Sempre sonhei vir aqui. Sempre sonhei percorrer este caminho. Sempre sonhei alcançar este cume. Sempre sonhei atingir este objectivo. Mas é mentira, nem sempre sonhei. Acontece que os sonhos nascem dentro de mim com tanta força que me parece que sempre ali estiveram, mesmo quando acabo de os descobrir. Os sonhos multiplicam-se em mim e não há como os fazer parar. Ainda não realizei um sonho de sempre e já me nasceu na alma e no coração um novo sonho, daqueles tão intensos que eu própria acredito que sempre os sonhei.

Maio de 2016

Os meus livros #13 - A Morte de Ivan Ilitch (Lev Tolstoi)







SINOPSE

«Este livro tão breve, uma das maiores obras-primas do espírito humano, tem sido, desde a sua publicação, um motivo de controvérsia para a crítica: trata-se de uma obra sobre a morte ou de uma obra que nega a morte?»
António Lobo Antunes

sábado, 3 de junho de 2017

Reler-me #27

Uma questão de sinfonia

Por fora posso ser Dance Music, Haevy Metal, House Music, posso ser Hip Hop, Samba, Reggae, Rap, Popular, posso ser Punk, posso ser Funk, posso ser Pop, posso ser Rock, posso até ser Kuduro ou Lambada. Por dentro toda eu sou Jazz, toda eu sou Fado. Por fora posso dançar qualquer música que toquem para mim, toda eu sou motivacional. Mas para ouvir a minha música interior tenho de sentar-me confortavelmente numa sala a meia luz, fechar os olhos e sonhar. Tudo uma questão de sinfonia.

Maio de 2014

Os meus livros #12 - O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, uma história de amor (Jorge Amado)






SINOPSE

Jorge Amado escreveu O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá em 1948, para o seu filho João Jorge, quando este completou um ano de idade. O texto andou perdido, e só em 1978 conheceu a sua primeira edição, depoi de ter sido recuperado pelo filho e levado a Carybé para ilustrar. Com ilustrações belíssimas, para um belíssimo texto, a história de amor do Gato Malhado e da Andorinha Sinhá continua a correr mundo fazendo as delícias de leitores de todas as idades.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Parece que criei um monstro, não foi tio Pipoco?

Andava eu na minha vidinha quando me lembrei da Blogosfera dos tempos antigos, porque parecendo que não já lá vão 7 anos de Blog e com isto já eu estou a chegar ao tempo em que no meu tempo é que era. Parece que inspirei o Tio Pipoco a contradizer-me e sobre isso só tenho a dizer em meu abono que num outro tempo já o inspirei a fazer O Caminho e até já tentei inspirá-lo a usar meias como deve de ser. Criei um monstro, parece-me, porque isto de tentar reencontrar a Blogosfera perdida nunca mais parou, felizmente. As saudades que eu já tinha deste movimento e de me divertir a sério com isto dos blogs? 

Dada a explicação informo que ganhei um selo, fui nomeada, ou condenada, ainda não sei bem, pela Be e pela Susana, um selo em bom, exactamente igual aos selos dos tempos antigos, lindíssimo, como podem ver, que orgulho, obrigada miúdas. Posto isto, passo a cumprir as regras do desfio:

Se eu tivesse um Blog mesmo em bom teria de ser o Blog do Tio Pipoco, porque no fundo sou uma romântica e parecendo que não é o Tio que nos une, que cria movimentos e que afinal, faz com que a Blogosfera moderna seja ainda um bocadinho como a Blogosfera antiga, porque eu continuo a acreditar que isto não são só Blogs e apesar de ter cada vez menos tempo para isto tenho pessoas desse lado, não números e estatísticas. 

Sintam-se todos condenados a levar este lindo selo para os vossos Blogs em Bom, não nomeio porque nunca gostei de cumprir regras, sempre gostei de ser a rebelde do grupo.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Felizes andam os passarinhos

Que me acordam dia após dia com a mais bela das sinfonias, que me inundam o quarto e a casa de notas musicais e de alegria, que cantam como não me lembro de ouvir, que despertam diariamente com as mais belas canções e com os primeiros raios de sol e de luz. Felizes andam os passarinhos. E eu, apesar de por culpa deles andar cheia de sono, fico feliz com eles, porque para infelizes e zangadas bastam as pessoas. Felizes andam os passarinhos. E feliz ando eu, que acordo de sorriso nos lábios de tanto os ouvir.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

domingo, 28 de maio de 2017

Reler-me #26

15 de Abril - Dia Internacional do Ciclista (dizem)

Alguns sites afirmam ser hoje o dia internacional do ciclista. Se considerarmos o ciclismo como um desporto de corrida de bicicletas cujo objectivo é chegar primeiro a uma meta ou cumprir determinado percurso em menor tempo possível, então eu não sou ciclista e não percebo nada disto. O que eu gosto mesmo é de pedalar, de passear de bicicleta, de me divertir, de viajar, de levar com o vento na cara e a emoção na alma, de despentear o cabelo com o capacete, de libertar toda a adrenalina possível numa descida técnica no meio do monte, de subir, subir, subir e atingir um topo que visto de cá de baixo nos parece inalcançável. O que eu gosto mesmo é de coleccionar sorrisos, gargalhadas, percursos, histórias, amigos e horas muito felizes. O que eu gosto mesmo é de parar para olhar o horizonte, é de sentir o sol, a chuva, o calor intenso e o frio gélido no rosto. O que eu gosto mesmo é de desafiar os meus limites, de acreditar que consigo tudo e de superar as minhas metas interiores. Não sei se sou ciclista, se sou cicloturista ou o que raio sou, só sei que isto é bom, que pedalar está-me no corpo, está-me na alma e que mesmo não ligando nada a isto, dos dias internacionais de tudo e mais alguma coisa, hoje é bem capaz de ser o meu dia.

Abril de 2015

sábado, 27 de maio de 2017

Reler-me #25

Há dias... e dias...

Há dias em que acordo a mais bonita, que caminho com segurança e com ar de quem domina o mundo e sabe exactamente o que quer e para onde vai. Há dias em que acordo completamente perdida e até os simples gestos rotineiros me parecem mecânicos, como se fosse difícil o simples acto de respirar. Há dias em que acordo magra e gira, em que escolhi a roupa e a cor de sombras mais fashion dos últimos tempos e os meus saltos me fazem sentir a Super Mulher. Há dias em que acordo gorda, quase obesa, em que nada do que tenho para vestir me serve ou me fica razoavelmente bem. Há dias em que acordo bem disposta, canto durante todo o trajecto de casa ao trabalho e me apetece beijar e abraçar toda a gente só porque a vida bela. Há dias em que o simples facto de estar a chover me faz sentir deprimida e infeliz. Há dias em que tenho as maiores certezas e a toda a segurança do mundo. Há dias em que todas as dúvidas me povoam a mente. Há dias em que choro sem motivos. Há dias em que sorrio confiante e convincente, mesmo só tendo razões para chorar. Há dias que tenho tanta força que sou capaz de mover multidões. Há dias em que sou fraca, como uma ave ferida. Há dias em que o simples nascer do sol ou pintar as unhas me faz feliz. Há dias em que nada me consegue tirar esta ansiedade do peito. Há dias em que me encho de esperança. Há dias em que o mundo acaba amanhã, ou já daqui a pouco. Há dias em que amo. Há dias em que odeio. Há dias que sim. Há dias que não. Inconstante? Não, simplesmente Mulher, como todas as outras.

Abril de 2012

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Em busca da Blogosfera perdida

A Blogosfera já não é o que era. É certo que eu também já não sou o que era e que a Blogosfera hoje em dia só me serve para escrever e para visitar meia dúzia de Blogs dos quais não abdico ou por causa do autor ou por causa da sua escrita. Ainda assim, a Blogosfera era um sítio certo e seguro para mim, a Blogosfera era um porto de abrigo, a Blogosfera era o local que eu podia abandonar porque ia estar sempre lá para mim, a Blogosfera era o recanto que nunca mudava e que me acolhia sempre da mesma forma, a Blogosfera era aquela amiga que eu podia estar longe durante muito tempo e que aquando do reencontro nada tinha mudado nela nem na nossa relação. O que é que aconteceu entretanto? A Blogosfera já não é o que era. Onde é que estão os "concordo contigo" incondicionais? Onde é que estão os "lol"? Onde é que estão os intermináveis smiles? Onde é que estão os "tens toda a razão"? Onde é que estão os "Eu poderia ter escrito isto"? Onde é que estão os "abracinho amiga"? Onde é que estão os "se me seguires eu também te sigo"? Onde é que estão os desafios sem lógica nenhuma? Onde é que estão os selos de Blog mais foleiro de todo o sempre? Mas é pior... muito pior... Onde é que estão as publicidades manhosas com as quais valia a pena gozar? Onde é que estão os outfits horríveis para a gente se rir? Onde é que estão aquelas cores de verniz que só davam vontade de vomitar? Onde é que estão os sapatos que nunca, jamais, alguém no seu perfeito juízo conseguiria usar? Onde é que estão as amigas que quando se zangavam faziam um escândalo de dar vergonha alheia? Onde é que estão os posts sobre a actualidade iguais em todos os Blogs, dia após dia? Mas é pior... muito pior... Onde é que estão os bons Blogs? Onde é que estão os Blogs interessantes? Onde é que estão os Blogs realmente bem escritos? Onde é que estão os Blogs que nos inspiram? Onde é que estão os Blogs que nos emocionam? Onde é que estão os Blogs que nos fazem chorar de tanto rir? Onde é que estão os autores por os quais nos "apaixonamos"? Onde? Onde é que está a Blogosfera tal e qual eu a conheci? É só impressão minha ou esta merda agora é uma seca do caralho?

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Passadiços do Paiva

Os Passadiços do Paiva são um local encantado que eu queria conhecer há muito e que me apaixonaram. Contornam, sobem e descem montanhas que seriam de acesso impossível às pessoas em geral, só os praticantes de desportos no rio e poucos mais teriam o privilégio de conhecer toda aquela imensidão se não tivessem construído os Passadiços. Não sei de quem foi a ideia, mas deixo-lhe aqui o meu aplauso. A grande subida à montanha e a descida são de cortar a respiração até aos que estão habituados a conquistar e a viver nas montanhas. As paisagens são deslumbrantes e toda a envolvência de montanhas, rio, verde, plantas e animais é fascinante. Escapei ao inconveniente do possível excesso de pessoas por ter ido até lá num dia útil, aproveitando desta forma da melhor maneira possível o feriado municipal da minha cidade. Poderia deixar aqui dezenas de imagens fascinantes, mas acho melhor dizer-vos para irem. Vão que vale muito a pena conhecer este bocadinho de mundo tão único.  


http://www.passadicosdopaiva.pt/

E se eu...

Tivesse acabado de escrever o meu primeiro post num Blog?

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Nunca pensei que existissem tantos assassinos por metro quadrado

Devo começar por dizer que nunca gostei de generalizar as pessoas e que sei bem que este tema está muito longe de ser consensual. Ainda assim é preciso escrever sobre isto, é preciso não calar sobre isto.
Sempre fui uma mulher da montanha, dos trilhos, da terra, das pedras, das raízes, do mato, da lama, das subidas técnicas e das descidas radicais. Sempre fui uma aficionada por todo-o-terreno. Acontece que recentemente descobri uma nova paixão, o alcatrão. E se as minhas poucas experiências na estrada já me faziam ver um mundo ao contrário, agora que faço parte dela e que quero conquistar cada vez mais quilómetros consigo ver um mundo completamente assustador.
Nunca pensei que existissem tantos assassinos na estrada. São pessoas aparentemente normais mas que têm nas mãos uma arma mortal que lhes é dada sem grandes dificuldades, mediante um pagamento irrisório e sem qualquer teste psicológico, que diga-se de passagem, era mais que necessário, há imensa gente que não tem capacidade mental para possuir uma carta de condução.
Escrevo olhando para a estrada dos dois pontos de vista, como condutora e como ciclista, mas acima de tudo como pessoa, porque como comecei por dizer, nunca gostei de generalizar e os condutores não são todos iguais, assim como os ciclistas não o são. Como pessoa erro, já cometi muitas infracções ao volante de um carro e como ciclista também erro, já fiz o mesmo em cima da minha bicicleta. Actualmente, como ciclista, estou mais atenta do que nunca e tento não só cumprir todas as regras como olhar para cada carro como um atentado à minha vida e por isso defender-me constantemente. Ainda assim são carros que se metem à minha frente numa rotunda e que me obrigam a travagens perigosas e quase impossíveis quando eu tenho prioridade, são carros que não param nos sinais de stop nem cedem prioridade em cruzamentos quando têm que o fazer, são carros que além de não respeitar a distância de segurança de um metro e meio ainda me fazem tangentes como se isso lhes desse imenso prazer, são carros com atrasados mentais dentro que buzinam e esbracejam só porque estamos ali, são carros com condutores que fazem de conta que não nos vêm e/ou que não existimos, são carros que perante outros que nos cedem prioridade sobem passeios, gritam, barafustam e tentam abalroar-nos propositadamente. São carros com loucos dentro. São carros com gente que olha para nós e vê somente uma bicicleta, roupas de licra coloridas, luvas, um capacete e uns sapatos de encaixe fluorescentes, são carros com gente como nós, mas sem a capacidade de perceber que em cima de uma bicicleta está uma mãe de alguém, está um pai de alguém, estão filhos, estão irmãos, tios, primos, amigos, vizinhos, estão pessoas, estão vidas. E que existam pessoas que estejam de mal com o mundo eu até compreendo, não fossem as minhas grandes paixões e esta forma de olhar para a vida eu também acharia que o universo é uma merda, se eu só tivesse pressa para chegar a sítios onde me obrigam a estar e só mexesse um rabo gordo, mole ou cheio de celulite para entrar e sair de um carro, possivelmente também estaria zangada com tudo e todos, principalmente com as pessoas felizes e apaixonadas por algo que as faz ver a vida mais colorida, mas por muito zangada e de mal com o mundo que pudesse estar tenho a certeza que nunca isso me levaria a colocar a vida de outros em risco.
Por hoje é só. Termino por onde comecei, nunca gostei de generalizar. Resta-me dizer que acidentes são uma coisa, tentativas de os provocar propositadamente para ferir alguém sem defesa são outra.

sábado, 20 de maio de 2017

Desculpa Salvador

Mas não se pode amar pelos dois. O amor tem de ser único, tem de ser partilha, tem de ser mútuo, tem de ser recíproco, tem de ser em comum, tem de ser união. O amor tem de ser a dois. O amor não se aprende nem chega devagarinho, o amor acontece, o amor é intenso, o amor é arrebatador, o amor é surpreendente, o amor é extasiante. Desculpa Salvador, mas não se ama sozinho, não se pode amar pelos dois. O amor só faz sentido a dois. O amor só faz sentido partilhado. O amor só faz sentido gritado ao mundo na primeira pessoa do plural. 





Obrigada Salvador. Obrigada Luísa. Não se pode amar pelos dois, mas pode cantar-se por uma nação inteira. Parabéns Salvador. Parabéns Luísa. 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Condenadas à nascença

Passaram mais de dois anos desde que comprei vasos pela primeira vez na minha vida, primeira e última, diga-se, que não tenciono meter-me em mais aventuras destas. Desde logo senti o peso da responsabilidade de manter as flores vivas. Eu, que sempre fui apaixonada pela natureza, tinha a partir desse dia um bocadinho dela dentro de casa, dois vasinhos pequenos e em forma de bicicleta, com umas lindas e coloridas flores, capazes de me fazer sentir adulta e responsável, que felicidade. As flores morreram ainda não tinha passado uma semana e eu, profundamente desiludida, tinha a certeza que a culpa era delas e não minha, ainda assim decidi não arriscar e comprei cactos. Cactos e mais cactos, porque me morreram uns atrás dos outros, os primeiros possivelmente afogados entre o meu medo de os deixar morrer e o facto de não fazer a mais pequena ideia de como cuidar deles, os que se seguiram possivelmente à sede, entre a minha certeza de não saber cuidar deles e o esquecimento da sua existência. Cactos e mais cactos, de todas as formas, cores e feitios morreram por minha culpa, minha tão grande culpa. 
Ontem decidi mudar, comprei duas lindas roseiras para os meus vasinhos e fui para casa feliz, disposta a dedicar-lhes toda a minha atenção, mas agora estou em pânico, não sei o que lhes fazer, não sei como cuidar delas, não sei como conseguir que sobrevivam no meu mundo. Paz à sua alma, estão condenadas à nascença, temo que na próxima semana seja necessário ir comprar tulipas, ou atirar os vasos em forma de bicicleta pela janela.
Muito prazer, eu sou a Loira e o meu passatempo preferido é assassinar plantas. Socorro. 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Os Deuses devem estar loucos

Perante a frase que se impunha - é proibido circular de bicicleta - respirei fundo e reservei os bilhetes.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Loira on the road

Queridas pessoas que me lêem, tenho a informar que a partir de agora além de andar por aí a conquistar trilhos ao pedal também vou andar por aí a conquistar quilómetros em estrada, fujam daqui porque eu vou ficar cada vez mais insuportável.
Queridas montanhas, preparem-se porque eu agora ataco de todos os lados e tenho intenção de conquistar cada vez mais cumes.
Queridos condutores, por favor, respeitem um metro e meio de segurança de distância quando me virem, eu juro que já sou perigosa quanto baste.
 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Isto é bem capaz de ser felicidade

Dupliquei o objecto da minha paixão, em vez de uma agora são duas, as mesmas cores, a mesma dedicação, a mesma espera pela transformação que eu inventei e a mesma ansiedade pelo resultado final. Agora descansam, lindas, as mais giras do mundo e arredores, lado a lado, olho-as com orgulho e com paixão, olho-as novamente e suspiro por elas, minhas. Isto é bem capaz de ser felicidade.

Do Pedal para o Blog #7



domingo, 7 de maio de 2017

Reler-me #24

Vou sempre com demasiada sede ao pote

Estou sempre com sede e tento matá-la com toda a ganância do mundo. Sinto uma secura indescritível, uma vontade incontrolável. Às vezes entorno a bebida, molho o que não devo, quase me afogo ao derramar o tão esperado líquido. Bebo como quem está perdido no deserto há dias e consegue água pela primeira vez. Bebo como quem se excedeu mortalmente no salgado. Absorvo, consumo, trago, engulo, sugo para dentro de mim como se estivesse prestes a ficar desidratada. Não sei beber de outra forma, não sei ser diferente. Bebo os bocados de vida com um desejo ardente que nunca consigo tranquilizar.

Março de 2016

Reler-me #23

Loira, a incentivadora.

Quando comecei a andar de bicicleta inscrevi-me numa maratona de 40 Km, foi a minha primeira vez, assim que me inscrevi mil vozes se ergueram para me dizer que eu estava maluca, que 40 km faziam as pessoas experientes, que eu não devia ir, que eu não conseguia. Consegui. Pouco mais de um mês depois marquei a minha primeira viagem de bicicleta e logo mil vozes se ergueram para me dizer que 200 km eram impossíveis para mim, que eu estava maluca, fizeram-se apostas porque era uma realidade, eu não conseguia. Consegui. Meio ano depois quis aventurar-me a primeira vez e marquei a minha tão sonhada viagem pelo Caminho de Santiago, logo mil vozes se ergueram para me falar das dificuldades, para me falar da minha falta de preparação física, para me dizer que eu não conseguia. Consegui. O mais grave aconteceu quando em 2013 comecei a planear as minhas férias e comecei a preparar-me para O Caminho Francês de Santiago, mil vozes se ergueram para me dizer que agora sim, eu estava completamente maluca. 1000 Km de bicicleta? Impossível. E com alforges? Em autonomia total? E se me acontecesse alguma coisa? Que faria eu? Dormir em albergues? Partir de manhã de uma cidade sem saber exactamente onde se vai dormir à noite? E se não arranjasse local para pernoitar? Dormia na rua? E para chegar lá, tinha de levar a bicicleta desmontada? E para a montar? Se corresse alguma coisa mal? E as roupas? Tinha de levar pouquíssimas coisas, tinha de lavar todos os dias a roupa que queria usar dois dias depois? E se tivesse uma avaria na bicicleta? E se me perdesse? E se fosse assaltada? E se caísse? E se...? E se...? E se...? Eu consegui.

De cada vez que me quis aventurar se tivesse ouvido as mil vozes que se ergueram para me dizer que eu não conseguia, que eu não era capaz, que era demasiado perigoso, que eu estava maluca, que não compreendiam como eu ousava sequer sonhar com uma coisa assim, ainda que eu nunca tenha pedido opinião a nenhuma dessas pessoas que erguiam as vozes para me dizer que era impossível, se as tivesse ouvido, nunca teria saído de casa, nunca teria arriscado, nunca teria feito aquela que foi a viagem da minha vida. Estaria até hoje a andar de bicicleta à volta de casa como se fosse um ratinho amedrontado.

E se eu contrariei mil vozes negativas tantas vezes, e se eu pretendo continuar a contrariar quantas vozes, quantas vezes, se erguerem para me aclamarem com o impossível, quem sou eu para fazer o mesmo? Eu apoio as pessoas em tudo o que elas me dizem que querem fazer, eu digo sempre que sim, que conseguem, que são capazes, que façam e que aconteçam. Eu digo "força", faço um grande sorriso e ofereço ajuda para o que precisarem. Porque se eu acredito do fundo do coração que sou capaz de tudo, acredito de igual forma que os outros também são. 

E às vezes os outros só precisam de ouvir uma voz positiva no meio das mil vozes negativas.

Março de 2015

sábado, 6 de maio de 2017

Reler-me #22

Estou cada vez mais transparente...

Estou cada vez mais transparente. Durante muitos anos consegui viver sempre de sorriso no rosto e piada fácil para todos. Para ver algo mais que isso era necessário olhar-me bem lá no fundo dos olhos e tirar-me uma espécie de radiografia à alma de diagnóstico muito vago para a maioria dos que tentavam. Estou cada vez mais transparente. Não sei fingir estados de espírito e emoções. Se estou chateada faço uma cara de chateada e fica-me vincada uma ruga no meio dos olhos, mesmo em cima do nariz, se estou irritada, cansada, ansiosa, as minhas expressões mostram cada vez mais as minhas emoções. Se estou perdida fico com um ar totalmente perdido. Estou cada vez mais transparente. O rosto desnuda-me também os sentimentos. Quando não gosto, não gosto, não consigo olhar nos olhos, não consigo ficar atenta ao que me dizem, não me interessa e ponto final, fico com ar de quem está no mundo da lua. Quando gosto confesso-me, brilham-me os olhos, ilumina-se-me o sorriso e expresso-me com o coração. Estou cada vez mais transparente, mas às vezes precisava ser um bocadinho actriz neste palco que é a vida, só às vezes...

Março de 2012

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Bloqueio de leitora

Já não leio. Ou já não leio como lia. Meia dúzia de páginas cansam-me profundamente. Quero muito voltar a perder-me nas páginas de um livro, mas por muito que tente não estou a conseguir. Em vez de cerca de dez livros por mês tenho lido um ou dois, com algum esforço e força de vontade de tentar voltar aquilo que era. Já não leio. Ou já não leio como lia. Ainda assim continuo a carregar um livro sagradamente comigo, em casa levo-o atrás de mim para todo o lado e não saio para a rua sem o meter na mala, como se abandoná-lo fosse perder a esperança de voltar a perder-me na minha grande paixão. Já não leio. Ou já não leio como lia. Ainda assim continuo a carregar o peso dos livros comigo, talvez para provar a mim mesma que não me esqueci dos livros, talvez para provar aos livros que não me esqueci de mim. 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Chegar

Pedalei 420 km e subi mais de 6400 metros de acumulado, atravessei montanhas e vales, descobri sítios novos,  larguei os travões e desci, olhei em redor até ao infinito, respirei fundo e encarei a subida de frente, cansei-me e recuperei, atingi metas e sorri muito, cheguei feliz, tranquila e em paz. Uma paz inexplicável. Chegar em paz tem outro sabor, é menos emotivo mas muito mais intenso. Em cada Caminho há algo que muda, sou eu e a forma como olho para a vida e para o mundo. Chegar não é a meta, a meta é O Caminho, a meta são todos os caminhos que há a percorrer, a meta é viver. Chegar, que seja sempre em paz, nesta paz imensa e infinita.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Vou ali e já volto





Mas só depois de 4 dias a pedalar, 420 km e quase 6000 metros de acumulado de subida. Só depois de mais um Caminho, de mais uma viagem e de mais uma grande aventura. Só depois de trazer comigo mil histórias para contar. Que seja um Bom Caminho. E que O Caminho nunca acabe.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Suspiro...

Tracei no meu mapa novos horizontes, delineei novas metas, arrisquei a percorrer estradas sem fim e sei agora que há infinitos trilhos para descobrir. Colori os meus dias como nunca. Esqueci-me de escrever sobre tudo isto mas continuo a inspirar-me na vida e escrever sobre ela continua a ser necessário e apaixonante. Vejo, descubro e sinto coisas novas todos os dias, os sonhos multiplicam-se a cada minuto, a lista de objectivos a atingir é interminável neste momento. Quero ver mais, ouvir mais, conhecer mais, fazer mais, sentir mais, quero mais de tudo para mim. Quero partir, ir, fazer, acontecer. Viver é intenso e eu estou apaixonada pela vida. Suspiro...

terça-feira, 11 de abril de 2017

Biomecânica, essa coisa do demo

Resolvi um destes dias fazer uma biomecânica à minha bicicleta. O que é uma biomecânica? Perguntam as duas alminhas que ainda passam por aqui ao engano. Uma biomecânica é uma medição e ajuste da bicicleta ao atleta, de forma a que os dois estejam em plena sintonia na pedalada. Pelo menos era nessa treta que eu acreditava quando inocentemente fui fazer a merda da biomecânica. O que é que aconteceu? Perguntam as duas alminhas que ainda passam por aqui ao engano. Aconteceu que me mexeram tanto nas medidas da minha bicicleta que o meu corpo que antes se encaixava nela de forma natural agora simplesmente nem a reconhece. Teoricamente agora os meus músculos, as rotações das pernas, os tendões, os ossos e tudo o resto está a trabalhar de forma correcta enquanto pedalo. Na prática é um desconforto, são dores, é falta de força, é uma irritação que só me apetece voltar para casa o mais rápido possível. Teoricamente tudo isto é normal, há um período de adaptação e daqui a uns dias eu vou sentir-me em casa a pedalar, basta ter calma e pensar na minha saúde no futuro. Na prática apetece-me mandar quem me diz isso para o caralhinho que o foda e voltar a colocar a minha bicicleta como estava.
Pronto, era só isso, um desabafo, podem ir às vossas vidas as duas alminhas que ainda passam por aqui ao engano.
A biomecânica? A minha mãe agradece, anda há mais de 7 anos a foder-me a cabeça para eu deixar de pedalar sem qualquer sucesso e agora esta obra do demo aparece e faz com que todos os desejos dela quase se tornem realidade.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Discriminação?

Porque é que numa prova de tempos cronometrados as equipas masculinas e mistas podem optar pelo trajecto maior ou pelo trajecto menor, conforme a sua vontade e a sua preparação física, e as equipas femininas só podem fazer o trajecto menor, ficando desclassificadas se escolherem fazer o maior? 
Discriminação? Claro que não. É só porque nós mulheres temos de ir virar o assado que deixamos no forno antes de ir para a maratona, não vá aquela merda queimar-se e depois já não há almoço. E isso sim, era uma grande chatice.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Mas que doença é esta?

Não é falta de tempo e muito menos de concentração, não tenho nenhum problema para resolver, nem nada que me preocupe, não me perco a meio da página a pensar numa outra coisa qualquer, simplesmente não me apetece ler, tenho os livros ali de lado, sem vontade nenhuma de lhes pegar, não me lembro da última vez que li e estou quase a cortar os pulsos por causa desta falta de vontade de me perder numa das minhas grandes paixões. Não arranjo explicação nem sei onde encontrar o meu síndrome de leitora compulsiva. Não consigo simplesmente sentar no sofá e ler, tão natural e necessário como quem respira, como sempre foi. Mas que doença é esta, que não curou, nem quando fiquei doente e não tinha mais o que fazer?

Do Pedal para o Blog #4

domingo, 26 de março de 2017

Reler-me #22

Da relatividade do tempo...

Um segundo pode durar a eternidade. Num minuto podemos reflectir toda uma vida. Um sorriso pode ficar para sempre na nossa mente. Um cheiro pode penetrar a nossa alma irremediavelmente. Uma hora pode demorar mais tempo a passar do que vinte e quatro horas. A noite pode nunca mais acabar. Em alguns minutos podemos mudar toda uma vida. Sessenta segundos contados podem demorar bem mais que um minuto a fantasiar. O tempo descobre-se na alma, num relógio imaginário que ora para, ora avança descompassadamente ao ritmo do bater do coração. Há coisas que acabaram ontem, há coisas que acabaram para sempre, para sempre ontem...

Março de 2012

Reler-me #21

Post que fala da minha bicicleta (ficam já avisados, visto que é um assunto que não vos deve interessar para nada)

Toda a gente sabe (ou pelo menos uns dois de vocês) que quem pedala, seja no monte seja na estrada tem obrigatoriamente uma grande paixão (pancada, mesmo) pela bicicleta. É um sentimento inexplicável e extraordinário. Para começar ninguém, mas mesmo ninguém tem uma bicicleta igual à nossa. A nossa bicicleta é sempre a melhor (mesmo que custe só metade do preço da bicicleta do nosso colega) e a mais bonita (mesmo que já tenha uns bons anos). A nossa bicicleta não se empresta a ninguém. A nossa bicicleta custou provavelmente mais que o nosso carro, aliás, nós achamos mais útil a nossa bicicleta que o nosso carro e chegamos a pagar o dobro para lavar a bicicleta do que para lavar o carro numa oficina especializada. A nossa bicicleta merece sempre melhorias que custam umas centenas de Euros para ficar mais leve trezentas gramas. A nossa bicicleta é a nossa amante, é a nossa menina, é a nossa companheira. A relação que temos com a nossa bicicleta é uma espécie de casamento, mas na versão feliz. A nossa bicicleta acompanha-nos nas subidas e nas descida, nas quedas e nas aventuras, na glória e na dor e ninguém nos consegue separar. Perante isto, deixo uma fotografia da minha, para poderem comprovar que ela é mesmo muito bem tratada.


Março de 2012

sábado, 25 de março de 2017

Reler-me #20

Do coração...

Penso que é a isto que chamam de maturidade já que foram os anos e as experiências de vida que mudaram em mim o coração. Sempre me apeguei demais às pessoas, aos momentos. Achava que entravam na minha vida para nunca mais sair, o meu coração era uma espécie de hotel onde só era permitido fazer o ckeck-in, depois de entrar tinham que viver lá para sempre. E era enorme este hotel, poderia viver cá o mundo inteiro, sem nunca precisar de fazer o check-out. Por causa disso, o coração ficou-me destroçado tantas e tantas vezes e o hotel quase desmoronou. Demorei alguns anos, mas consegui construir cá dentro do peito uma espécie de chalé aconchegante onde habitam pessoas realmente importantes. Há sempre lugar para mais um aqui, os hóspedes são sempre muito bem recebidos, mas a gerência (ou o coração) tem a plena consciência que uns querem cá viver, outros alugam o espaço por tempo indeterminado e há aqueles que só querem lá passar férias. Por vezes ainda há algumas lágrimas na despedida, mas o melhor é fazer uma limpeza, preparar o quarto para os que chegam a seguir e manter sempre as portas abertas, para os que querem realmente viver por lá (ou por cá) para sempre.

Março de 2012

Reler-me #19

Terapia...

O corpo cada vez mais cansado e a respiração cada vez mais ofegante. As gotas da água gelada no rosto cada vez mais frio, os olhos fecham-se e não resistem a deixar cair algumas lágrimas de chuva, já não se vê com nitidez tudo o que é necessário. Os braços completamente gelados, as pernas pesadas, molhadas, um vento frio que faz com que deixe de sentir os pés e as mãos. O sabor de terra molhada nos lábios, consequência dos salpicos de lama. O ritmo cardíaco cada vez mais acelerado, com a pressa de chegar a casa, com a ansiedade de um banho quente e do conforto da roupa limpa. Os trilhos cada vez mais difíceis. Desaba em mim uma tempestade, mas fica-me a alma lavada e brilha-me o sol no coração.

Março de 2012

sexta-feira, 24 de março de 2017

Blog meu... Blog meu... há em toda a blogosfera Loira mais fashion do que eu?


Socorro, não tenho nada para vestir. Ou: posso criar uma série de posts sobre os melhores outfits para pedalar de todo o mundo e arredores?

quinta-feira, 23 de março de 2017

Inspiração

Um dia não há nada para escrever, tudo parece chato e monótono, nada vale a pena ser passado para palavras, a inspiração adormeceu por tempo indeterminado e sem causa conhecida ou compreensível, às vezes chega a parecer que partiu para sempre. No dia seguinte o mundo inteiro é conjugável, as ideias, os temas e as frases surgem à velocidade da luz, tanto que é difícil conseguir captar tudo o que acontece. Escrever é tão natural como respirar e não há nada que não mereça ser contado e partilhado, a vida é descritível. Adormecer rascunho, acordar poesia.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Que orgulho meus senhores, que orgulho

No fim de semana passado pedalei de calções pela terceira ou quarta vez este ano. Reparei, no domingo à tarde, que a marca do sol já se nota nas minhas pernas, mesmo de meias opacas. Ainda lá estava um tom moreno do verão passado e foi só sair a pedalar ao sol para acentuar as habituais marcas a meio das pernas. Que feio, pensarão vocês, que horror, dirá quem vir. Como é que consegues andar assim Loira? Perguntarão todos. Que lindas, digo eu, das marcas que me definem e que fazem parte daquilo que sou, daquilo que gosto e daquilo que faço. Que orgulho meus senhores, que orgulho, das marcas do sol na pele, dos arranhões do mato, dos picos entranhados na carne, das nódoas negras, das feridas e das cicatrizes. Que orgulho de ser o que sou, que é mais ou menos como quem diz, mais uma merda de um verão inteiro a usar calças. 

sexta-feira, 17 de março de 2017

Paz à sua alma

Afoguei-o. Desde 2010 que o meu passatempo preferido é afogar telemóveis, o primeiro afoguei-o na minha primeira grande viagem, debaixo de uma tempestade descomunal e todos os outros que se seguiram tiveram o mesmo fim. Afogaram em viagens, em maratonas, em passeios, afogaram por excesso de vida ou de humidades contínuas, afogaram em lama, em sujidade, afogaram em aventura. Matei-os, um por um, de forma radical. Até sábado passado, dia em que afoguei mais um, o primeiro a morrer sem fazer jus à reputação da dona, afogado enquanto eu lavava a loiça, como se em vez de eu ser a Loira das bicicletas, a Loira das montanhas, a Loira das aventuras, fosse uma simples dona de casa. Antes lhe tivesse acontecido uma morte de merda, afogado na sanita, sempre morria com uma história para contar. Afoguei-o, avé, salvaram-se os contactos e as fotos, que descanse em paz e que o actual morra com honra e glória, porque é assim que têm de morrer os que vivem intensamente. 

terça-feira, 14 de março de 2017

Oh não... vai começar tudo outra vez...

A mistura improvável que eu sonhei um dia e na qual ninguém acreditava. Cada pormenor pensado ao pormenor. A ansiedade da espera e a espera por saber se terceiros conseguiram compreender e transformar exactamente aquilo que eu imaginei e quero. Os planos, as ideias, as imagens, a imaginação, os sonhos, a contagem do tempo. Oh não... vai começar tudo outra vez. Fujam todos, nos próximos tempos vou ficar insuportável, ainda mais insuportável.