domingo, 22 de outubro de 2017

Os meus livros #31 - Retrato a Sépia (Isabel Allende)



SINOPSE

Um romance histórico ambientado no Chile de finais de século XIX, Retrato a sépia é uma saga familiar onde reencontramos algumas das personagens de Filha da fortuna e de A casa dos espíritos, romances fundamentais na obra de Isabel Allende. Aurora del Valle sofre um trauma brutal que determina o seu carácter e apaga da sua mente os primeiros cinco anos de vida. Criada pela sua ambiciosa avó, Paulina del Valle, Aurora cresce num ambiente privilegiado, livre das limitações que oprimem as mulheres da sua época, mas atormentada por pesadelos horríveis. Quando tem de enfrentar a traição do homem que ama e a solidão, decide explorar o mistério do seu passado. Obra de uma dimensão humana extraordinária, Retrato a sépia eleva a narrativa da autora ao auge da perfeição literária.

sábado, 21 de outubro de 2017

Reler-me #44

Homens chamados à recepção...

Só têm de aprender a distinguir os momentos em que elas precisam de ser protegidas e de sentir-se seguras que aconteça o que acontecer vocês vão lá estar dos momentos em que é extremamente necessário que se sintam livres de sozinhas tomar decisões capazes de mudar o mundo. Só têm que saber distinguir os momentos em que se sentem sozinhas apesar de estarem rodeadas de pessoas dos momentos em que só precisam de um pouco de solidão e silêncio. Só precisam saber quais são os dias em que têm de dizer-lhes que são lindas e os dias em que não vale a pena dizer-lhes nada porque elas sabem que são a mais bonita. Só precisam de saber quando um abraço ou um beijo são capazes de resolver todos os problemas delas e quando elas simplesmente não têm problemas ou resolvem tudo sozinhas porque são capazes de dominar o mundo. Só têm que saber distinguir um sorriso sincero de um sorriso forçado e cansado, só têm que procurar um brilho ou uma sombra no olhar e fazê-las acreditar que são os únicos capazes disso. Só precisam saber distinguir os dias em que a maior necessidade delas é um simples chocolate dos dias em que precisam desesperadamente de uma dieta. Só precisam saber os dias exactos em que elas são capazes de ver um filme de acção ou os outros, aqueles em que têm de escolher uma comédia romântica. Só precisam saber os dias em que é necessário ir com elas comprar uns sapatos, ou correr, ou andar de bicicleta ou levar-lhe flores e um livro, preparar-lhe o jantar ou levá-las a jantar fora. Só precisam distinguir os dias em que elas querem fazer amor dos outros, em que o que elas precisam mesmo é de fazer sexo. Depois disso, meus senhores, vão ver que afinal é muito simples compreendê-las. 

Outubro de 2013

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

15 de Outubro de 2017

Não quero saber de tempos, não me importo se sou melhor ou pior que as outras ou se demoro mais  dez minutos ou menos duas horas a fazer o mesmo trajecto do que o resto das pessoas, o que gosto é de conquistar quilómetros, divertir-me e ser feliz, o que gosto é de aproveitar e curtir as descidas e de alcançar os topos que aparecem no meu horizonte. O que gosto é de pedalar. 
Um senhor desmontou no início da subida e quando eu reclamei porque quase me fez descer também da bicicleta respondeu-me que a probabilidade de desmontar era tão grande que mais valia fazê-lo já. Eu só lhe disse que o que gosto mesmo é de contrariar as estatísticas. E subi, montada até ao topo. O que e gosto é de ganhar bocados de chão. 


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Dias tão tristes, estes

O país está a arder, outra vez, tantas vezes. Adormecemos com medo e ansiedade e acordamos com as más notícias, outra vez, tantas vezes. A verdadeira dimensão de tudo isto só saberemos quando todos os fogos forem extintos, as imagens que vemos são horríveis e não podemos deixar de nos emocionar profundamente com os vídeos partilhados. As nossas serras estão a desaparecer, queimadas pelos fogos, as nossas casas, as nossas pessoas, a nossa gente e a nossa essência. 
Ontem trocava mensagens com uma amiga que ficou presa numa estrada, cercada pelo fogo de todos os lados, dizia-me que os mandaram abandonar os carros e descer até ao rio, a última mensagem dela antes de ficar sem rede era que já não conseguiam sair de lá, vivi horas de pânico até ter de novo notícias dela, até ela estar a salvo e me descrever o terror de tudo o que viveu, mas isso sei eu bem, passei pelo mesmo há uns anos atrás. O que mudou desde esse ano em que também eu me vi cercada pelo fogo? Nada. O país está só a arder, outra vez, tantas vezes. Não aprendemos com os erros, não fazemos nada para mudar, não protegemos tudo o que temos de bom e que é nosso, que somos nós.
Não há mais nada a dizer, já tudo foi dito, as palavras não servem de nada, para nada. O que precisamos é de revolta e de atitudes. 
E perante tantas imagens tão terríveis deixo uma de profunda beleza, deixo a da flor da esperança, tirada por alguém muito especial nas nossas montanhas queimadas, a flor que é a primeira a nascer e a mostrar que a vida continua e que é preciso reconstruir e renascer das cinzas. Que sejamos como a flor, que sejamos capazes de crescer no meio da destruição. E que a chuva caia lá fora. Até o país arder, outra vez, tantas vezes.


Do Pedal para o Blog #12

domingo, 15 de outubro de 2017

Os meus livros #30 - O Diário de Mary Berg

Sinopse

Em 1939, no dia do seu décimo quinto aniversário, enquanto as forças nazis começavam a apertar o cerco sobre Varsóvia, Mary Berg começou a escrever este diário. Nesse momento, ela ainda não sabia que, quatro anos depois, teria preenchido 12 cadernos com as suas memórias do terror nazi, recordando com detalhes vívidos alguns dos mais importantes e dramáticos acontecimentos do século XX. Desde o cerco das forças alemãs a Varsóvia até à final, e brutal, supressão da Insurreição do Gueto, Mary Berg documenta a provação dos refugiados, a luta diária pela sobrevivência, os recrutamentos forçados de judeus, as deportações e o heroísmo dos lutadores da Resistência que se ergueram contra a opressão alemã. Libertada através de uma troca com um prisioneiro dos Aliados, Mary Berg levou consigo os cadernos que escrevera durante quatro anos. Ao fazê-lo, deixou-nos um dos documentos mais extraordinários da Segunda Guerra Mundial: publicado originalmente em 1945, este diário dramático e impactante foi o primeiro a revelar a verdade sobre o Holocausto, um dos capítulos mais negros da História contemporânea.

sábado, 14 de outubro de 2017

Reler-me #43

Vivo no mundo das montanhas...

Só quem desafia as montanhas é capaz de lhes ter o respeito que elas merecem. Só quem as percorre com sol, com chuva, com gelo, com neve, com calor, com frio, com humidade, com pó ou com lama tem a capacidade de perceber a sua grandeza. Só quem se sujeita às vontades da natureza percebe que pode ser derrotado a qualquer instante. Só quem vive as montanhas consegue perceber que por lá não somos nada nem ninguém. As montanhas têm a capacidade de nos mostrar que o topo é sempre mais longe do que o que conseguimos imaginar, que o topo pode ser sempre mais difícil, que o topo nunca é ali, porque no fim de uma subida as montanhas conseguem mostrar-nos que há sempre um outro topo a alcançar, que há sempre algo mais, que as subidas têm sempre continuação. As montanhas são poderosas, enquanto as percorremos somos muito pequeninos, quando as vencemos ficamos grandes, enormes, gigantes. Só quem desafia as montanhas é capaz de lhes ter o respeito que elas merecem, só quem as desafia consegue sentir o poder, o orgulho e a felicidade de as conquistar.

Outubro de 2013

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Bike Blog

Em 2015 acabei tão suja como não tinha memória, enfrentei ventos, chuvas, lama e um furação. Cheguei ao fim cansada, com frio, completamente imunda e muito feliz. A melhor parte foram as fotos que esta grande aventura me proporcionou.

Em 2016 segui para a maratona em vez de optar por o trajecto mais curto e mais fácil. A minha condição física não era a melhor. Enfrentei o cansaço, o calor, o pó e as subidas que não esperava. Cheguei ao fim em segundo lugar e subi ao pódio, terminei muito feliz. A melhor parte é que este dia apesar de difícil foi muito importante para mim.


Já vos conto as cenas dos próximos capítulos, que é como quem diz, já escrevo sobre a maratona da beira-mar de 2017. Vou ali e já volto.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Na maratona (e na vida)

Muito mais do que treino e preparação física, para chegar ao fim da maratona é necessário força e capacidade psicológica. A meta fica mais perto e mais fácil de alcançar se partirmos com determinação e acreditarmos que somos capazes de tudo. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Sorri Julieta, é para a Internet

Julieta foi abandonada no monte quando nasceu, ela e mais cinco irmãos, dois gatinhos e três gatinhas, ficaram por lá uns dias até serem encontrados e entretanto ficaram doentes, todos apanharam coriza, para a qual foram medicados assim que chegaram à associação que os acolheu. Julieta tomou um antibiótico com o qual melhorou, mas uns dias depois a doença foi mais forte do que ela e voltou. Julieta tomou mais um antibiótico, ficou melhor, mas com a mudança cá para casa e a separação dos irmãos a doença acabou por vencer mais uma vez. Julieta teve então de ser novamente medicada para a coriza e tanta medicação começou a fazer o corpo dela ceder, mais medicação para os intestinos e entretanto mais medicação para a coriza, porque o corpo dela rejeitou os três tratamentos anteriores e a doença acabou sempre por voltar. Na última consulta a veterinária disse que vamos tentar esta última medicação e ver se o corpo dela, tão pequenino, a consegue aceitar e suportar. Julieta ainda não tem dois meses de vida e neste tão pouco tempo ainda não sabe o que é estar saudável, só avistar a medicação já a faz entrar em pânico, mas apesar disso Julieta está muito feliz, é muito meiga e muito louca e eu... bem... eu estou completamente apaixonada por esta coisinha pequena.

Sorri Julieta, nós as duas sabemos que vai correr tudo bem. 

sábado, 7 de outubro de 2017

Os meus livros #29 - Milagre (R. J. Palacio)



SINOPSE


August nasceu com uma deficiência genética que faz com que o seu rosto seja completamente deformado. Quando nasceu os médicos não tinham esperança de que sobrevivesse, mas sobreviveu. Vários anos e muitas cirurgias depois, August vai, aos 10 anos, enfrentar o maior desfio da sua vida. A escola. Contado a várias vozes, é uma história emotiva das dificuldades que tem de superar uma criança com uma terrível deformação e um relato do milagre que é a vida.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Não me roubem o Outono

Continuo a vestir-me de roupa leve e clara, as janelas continuam abertas e o sol entra radioso pela manhã, durante a noite empurro a roupa da cama que me parece demasiado quente, o calor ainda me queima a pele, no ar ainda cheira a flores e no fim da pista ainda há coelhos pacientemente à espera que eu passe. Podia jurar que estamos no pico da Primavera, não fosse o calendário aberto em cima da mesa. Não me roubem o Outono. O Outono é meu. É meu e tem folhas coloridas pelo chão e árvores despidas. É meu e tem manhãs frescas e noites frias. É meu e tem roupas quentes e botas. É meu e tem dias cinzentos e chuviscos. É meu e tem horas quentes depois de almoço que apetecem aproveitar numa esplanada sem sombras. É meu e tem cheiro a uvas maduras nos campos e a castanhas assadas na cidade. É meu e tem dióspiros com canela. É meu e tem manta e chá quente num sofá de abraços. É meu e tem trilhos com lama para me aventurar. É meu e tem chuva a bater na janela numa manhã de sábado, quando posso virar para o lado, cobrir-me bem e aproveitar para ficar cá dentro. Não me roubem o Outono. O Outono é meu. É meu e tem de ser Outono.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Loira, a inspirada

Abri a página em branco para escrever, mas não fui capaz, aconteceu várias vezes, fiquei aqui a olhar para o ecrã vazio à espera de preencher com bocados meus, não saiu nada, não havia nada para dizer, nada para contar, nada para escrever. Fechei a página em branco e desisti. Fui pedalar. Regressei com uma lista de ideias, coisas para fazer, coisas para viver, coisas para escrever. Tantas coisas para escrever que a primeira coisa que fiz assim que entrei em casa foi apontar tudo, como se a inspiração fosse preciosa, porque é provável que seja mesmo, inspirada sou muito mais feliz. Pedalar inspira-me, mesmo quando a vida não é inspiradora. 

domingo, 1 de outubro de 2017

Reler-me #42

A máquina de fazer ciclistas

Não sei se já viram alguma prova de ciclismo, não sei se acompanham a modalidade ou se entre a mudança de um canal para outro já pararam por algum tempo numa reportagem sobre uma volta, uma maratona de BTT ou uma competição em pista, enfim, sobre esta gente que pedala e de que eu me pergunto sempre de que é feito. Sim, de que é feito um ciclista? Já vi quedas que nem consigo descrever, ou através de um ecrã ou pessoalmente, já vi lesões de dar medo só de olhar, já me doeu a alma só de imaginar semelhante dor e já me doeu também a mim, quando fui eu a sentir no corpo o contacto com o chão. Se viram, se pararam durante cinco minutos para olhar para esta gente, terão com toda a certeza do mundo reparado que esta gente se levanta o mais rápido possível depois de uma queda e só pensa numa coisa, em continuar, em conseguir. Falo sobre isto com conhecimento de causa, falo sobre o que sinto na pele e posso dizer que quando pedalas só te sentes um verdadeiro ciclista quando atinges a tua meta, vás em competição ou em passeio, vás fazer 100 ou 10 km, vás sozinho ou no meio da multidão, a tua meta é a tua maior vitória, é a tua felicidade. Por isso um verdadeiro ciclista só desiste do que quer que seja se não tiver outra hipótese, por isso um verdadeiro ciclista só não se levanta disposto a montar novamente a bicicleta e a continuar se isso for humanamente impossível. Só te sentes um verdadeiro ciclista quando a dor de desistir de um objectivo ultrapassa a dor de continuar, de tentar. Não sei de que é feito um ciclista, não sei qual será a máquina que os prepara para isto, só sei que me sinto uma, e se em cima da bicicleta sou uma verdadeira ciclista, não vai ser na vida que vou ser uma jogadora de futebol. 

Agosto de 2015

sábado, 30 de setembro de 2017

Os meus livros #28 - Maria dos Canos Serrados (Ricardo Adolfo)

 


Sinopse


Maria dos Canos Serrados é a história de uma moça de má rês que se torna pior ainda. Arredores de Lisboa. Maria, vinte e muitos, adora a igualdade de liberdades, o seu namorado gigolô, as noites intoxicadas com as amigas e a ideia de vir a ser directora. Mas, de um dia para o outro, vê-se desamada, despedida e falida. E, entre resignar-se ou virar a mesa, Maria decide acertar contas de arma em punho. Contada de rajada na primeira pessoa, Maria dos Canos Serrados é uma história desbocada, nascida da Grande Crise. Uma reflexão sobre a nova mulher, que não precisa de um Clyde para ser Bonnie.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Isto só pode ser castigo divino

Tanto eu dizia que queria uma gata que me desse mimo em vez de me foder os sofás que acabou por me sair a gata mais mimalha do mundo. Eu a pensar que a tinha adoptado, afinal quem me adoptou foi ela. Entrou cá em casa e desde o primeiro minuto nunca mais me largou, persegue-me para todo o lado, não me larga os pés nem o colo, chora para pedir atenção e sempre que saio de casa faz um drama tão grande que mais parece que vai ficar sozinha para sempre, cobra-me sempre que regresso, num misto de alegria por me ter de volta com tristeza por ter a coragem de a deixar sozinha. Agora já vai comendo na minha ausência, mas nos primeiros dias nem disso era capaz. Desde que chegou nunca mais consegui ficar sozinha, nem na cozinha, nem na sala, nem na casa de banho, nem no quarto, anda colada a mim e até mesmo quando ligo aquele terrível monstro chamado aspirador só a consigo afastar uns metros, já que a esta altura do campeonato aquele outro monstro chamado secador de cabelo já não resulta para a afastar nem um milímetro. O melhor local do mundo, aparentemente situa-se entre a minha cara, o meu pescoço e o meu avantajado decote, já que retirá-la desse perímetro é uma obra muito dura. À noite dorme onde muito bem lhe apetece, tanto pode ser em cima das minhas costas como da minha cabeça, e de manhã acorda-me todos os dias a dançar o samba na minha cara. Estamos em tanta sintonia que, percebi recentemente, até o meu estado de espírito ela adopta para ela, se eu estou feliz ela também está, se eu estou triste ela fica solidária comigo. Pedi tanto uma gata mimalha que me saiu um carrapato para me fazer apaixonar, porque isto gente, isto são 600 gramas de amor. 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Ganhar é muito melhor do que ganhar.



Há muito tempo que não subia tanto e que não me divertia tanto a descer. Há muito tempo que não me sentia tão bem. Enfrentei as subidas com toda a força do mundo, do meu mundo, e fui subindo, subindo e subindo, até chegar ao topo, aos topos, ao cume, aos cumes. Depois de estar lá em cima puxei o rabo para trás e esqueci-me dos meus medos, desci sem pensar em cair e com toda a segurança do mundo, saltei pedras, passei regos, raízes e buracos, engoli o pó que o solo me oferecia, esqueci-me do resto do mundo, larguei os travões e aproveitei a velocidade e a adrenalida dos trilhos mais técnicos. Sujei a cara e voei, mais uma vez voei muito alto aqui, parece-me até que preciso vir aqui para relembrar a mim mesma o quão bom é o vôo dos loucos. O Outono renova-me sempre e a primeira maratona de Outono também, o Outono renova-me a alma e a vida, a maratona renova-me ano após ano a loucura. Fui rápida, fui muito rápida, mas não segui caminho, esperei sempre por quem me acompanhava e precisava de incentivo e chegar à meta em conjunto foi muito bom para mim. Não sei em que lugar fiquei e nem o tempo oficial que fiz, sei que ganhei muito aqui e que cheguei à meta mais feliz do que se tivesse feito pódio. Ganhar é muito melhor do que ganhar.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Loira no país das montanhas


O meu território natural é la em cima, num cume qualquer, alcançado somente com a minha energia e a minha paixão, entre o azul do céu e o verde da paisagem, a sujar a cara de pó ou de lama, a sentir o sol na pele ou a chuva no rosto, a enfrentar  um calor intenso ou um frio inexplicável. Nas montanhas sinto-me em casa. 

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Lá haveria de chegar o dia deste blog ter um daqueles posts com gatinhos fofinhos e corações

Pessoas, esta é a Julieta. Julieta, estas são as pessoas.


Esta casa tem uma Loira, duas bicicletas, muitos livros, dois blogues e agora também uma gatinha. Estamos muito felizes e apaixonadas. 

domingo, 24 de setembro de 2017

Reler-me #41

Haverá coisa mais sexy?

Vesti hoje umas calças brancas que adoro por um motivo muito especial, talvez um dia destes lhes dedique um post só para elas. Tenho um top de um azul lindíssimo, cheio de preguinhas, que aposto, terão um nome técnico qualquer para o mundo da moda, mas para mim são só preguinhas. Do mesmo tom de azul uso umas sandálias de salto pelas quais me apaixonei no inicio do verão. Tenho uma mala de um tom prateado, tão lindo que nem o consigo descrever. Uso os acessórios ideais para a roupa que escolhi. As unhas estão impecáveis e brancas, a maquilhagem perfeita e o cabelo também está num dia sim. Nos braços desnudos trago, além das marcas do sol, os arranhões que fiz ontem lá em cima na montanha. A descida era técnica e muito divertida, a vegetação está seca do sol, as silvas e o mato estão mais agressivos que nunca. Entre proteger-me dos arranhões e aproveitar as descidas escolho sempre aproveitar as descidas. Hoje trago os braços cobertos de arranhões vermelhos e feios e o meu melhor sorriso. Haverá coisa mais sexy que a felicidade de assumir as marcas da nossa loucura?

Julho de 2016

sábado, 23 de setembro de 2017

Os meus livros #27 - Puta que pariu o amor (Lady Mustache)




Sinopse


Tentando desvendar os mistérios do amor, temos o mórbido prazer de lançar uns cépticos raios no dia mais meloso do ano. Quando a alma de um camionista se apodera do corpo de uma princesa, dá uma Lady Mustache. E quando essa mesma alma de camionista dá boleia a uma outra alminha penada, junta-se uma Sara-a-dias. Unidas, preparam-se para agitar o dia dos namorados. Este livro irá colocar à prova qualquer relação.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Lá haveria de chegar o dia deste blog ter um daqueles posts de salsichas ao sol


Bye Bye Summer. Eu, que sou muito mais de Outono, não posso deixar de agradecer as marcas que me tens deixado na pele e na alma.  

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Cálculos de vida

Deixei de dar importância ao número de livros e páginas que leio, assim como aos quilómetros que pedalo. Deixei de fazer os cálculos de quem quer sempre mais números. Leio e pedalo com mais vida agora, aproveito de uma forma diferente duas das minhas grandes paixões, ainda que possa ler e pedalar menos, vivo cada página de livro e cada quilómetro de forma mais intensa, os números perderam a importância, foram substituídos pelas emoções. Continuo a apontar tudo o que leio e a arquivar e orgulhar-me de tudo o que pedalo, continuo a querer sempre mais, mas não da mesma forma, agora quero sempre mais paixão. 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Descer a quanto obrigas

Haverá quem ache difícil descer a montanha, ler os trilhos técnicos, saltar pedras, enfrentar encostas, controlar a bicicleta em terra seca ou na lama, passar regos, buracos e calhaus, saber o momento exacto para travar antes de ir de focinho ao chão na gravilha ou no lajeado. Haverá quem ache difícil curtir as descidas numa bicicleta todo o terreno. Já eu acho difícil descer o alcatrão, usar da melhor forma a minha bicicleta de estrada e curtir as descidas com um pneu fininho. Por muito que me tentem explicar todas as teorias, todas as normas de segurança, todas as formas de aprender a curvar e a controlar a bicicleta em terreno liso e aparentemente sem dificuldade, eu continuo a achar que descer em estrada é a pior coisa do mundo. Passo a vida a imaginar um carro a não parar num sinal de stop, a cortar a curva seguinte, a abrir uma porta num estacionamento, a fazer uma ultrapassagem perigosa, passo a vida a imaginar um cão ou um gato assustado a sair da vegetação e a bater-me na roda, um buraco na estrada impossível de passar a alta velocidade, uma curva mal calculada e a perda do controle da bicicleta, passo a vida a imaginar a dor de me esbardalhar no alcatrão. Eu desço, vou descendo, devagar, devagarinho, a travar, a travar tanto que no final de cada descida me parece que ganhei uma tendinite em cada mão. Sim, já sei, um dia destes caio, mas vai ser de tanto travar. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Reler-me #40

E por falar em música

Por fora sou Electrónica, sou Reggea, sou Disco, sou Funk, sou Pop, sou Rock. Por dentro sou Blues, sou Clássica, sou Romântica, sou Jazz, sou Fado. O meu corpo e a minha alma dançam compassos diferentes. Por fora posso até ser Heavy Metal, por dentro sou uma sinfonia. O meu corpo mexe e remexe na pista de dança, a minha alma sonha ao som do violino.

Julho de 2015

Wo wants to be normal?

Aquilo que temos de loucos faz de nós especiais.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Os meus livros #26 - Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas (Ricardo Adolfo)




Sinopse


Brito é imigrante ilegal numa cidade que não conhece e cuja língua não fala. Um domingo à tarde, depois da volta das montras, perde-se a caminho de casa com a mulher e o filho pequeno. E como acredita que para tomar uma decisão acertada tem de fazer o contrário daquilo que acha que está correcto, o regresso a casa revela-se impossível. Depois de uma noite na rua, Brito percebe que se não pedir ajuda pode ficar perdido para sempre, mas se o fizer pode arruinar o sonho de uma vida nova. Em pouco mais de vinte e quatro horas, Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas explora o que é viver imigrado dentro de si mesmo - mais difícil do que qualquer exílio.

"Lugar nenhum"

Chegou de lugar nenhum e caminhou ao meu lado em direcção a um destino certo. Perdemo-nos, não sabíamos para onde nos dirigíamos. Atiramo-nos de cabeça ao abismo sem pára-quedas capaz de suportar o peso da nossa loucura. Queríamos ir para um lugar qualquer e agora vamos juntos para qualquer lugar. 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Reler-me #39

Qual foi a coisa mais bonita que fizeste por ti?

A Dias Cães foi aprender a dançar ballet aos trinta e quatro anos e contou-nos de uma forma espectacular como isso foi a coisa mais bonita que já fez por ela. Li aquele post com emoção e orgulho porque me identifiquei com cada linha e com cada sentimento escondido nas entrelinhas. 

Talvez seja muito complicado para alguns (para a maioria) perceber porque é que a coisa mais bonita que já fiz por mim foi ter pegado numa bicicleta, há alguns anos atrás, e ter ido pedalar para o monte. Talvez um dia destes a vida me faça mudar de ideias, mas duvido. Ter ido com a minha bicicleta para a montanha aquele primeiro dia e todos os outros que se seguiram fez de mim uma pessoa diferente, fez-me olhar para a vida e para o mundo de outra perspectiva, ensinou-me a analisar as pessoas de uma forma que nunca conseguiria e o mais importante, ensinou-me a conhecer-me a mim própria, como nunca tinha sido capaz. Ter ido com a minha bicicleta para a montanha aquele primeiro dia e nunca ter desistido de ir uma e outra e outra vez fez-me conhecer locais que nunca conheceria por outros meios, trouxe para a minha vida pessoas sem as quais já não me consigo imaginar, proporcionou-me as maiores dores e os maiores prazeres, fez-me sentir as coisas, o mundo, a vida de um modo especial. Ter ido com a minha bicicleta para a montanha aquele primeiro dia e todos os dias fez-me olhar para mim com orgulho, fez-me gostar mais de mim, fez-me parar muitas vezes para pensar que sou mesmo eu, que estou mesmo a fazer aquilo, que sou espectacular, fez-me admirar a minha coragem, gostar de nós é único, todos deveriam saber o que isso é. Claro que já me senti muito mal na montanha, claro que já me apeteceu milhões de vezes deixar a bicicleta para trás e vir a pé para casa, sentar-me confortavelmente no sofá a ler, mas essa sensação passa muito depressa, não há meta que não traga alegria, orgulho e ensinamento, não há meta que não peça mais, não há meta que não seja um novo começo. Ir com a minha bicicleta para a montanha dá-me histórias, experiência, sorrisos, pessoas, lágrimas, emoções, dores, prazer, sítios, amizades eternas, dá-me inumeráveis sentimentos, dá-me vida. E por isso, sim, ter ido aquele dia com a minha bicicleta para a montanha e ter feito disso uma forma de vida foi a coisa mais bonita que já fiz por mim, porque olho para trás e não sei como seria se não fosse assim, porque fez de mim grande parte daquilo que sou hoje.

Talvez seja muito complicado para alguns (para a maioria) perceber isto, mas talvez, como me disse a Dias Cães, isto seja inspirador para as pessoas que merecem saber o quão bom é esfolar os joelhos. 

Julho de 2015

Loira, a resgatada

Em cada Caminho que fiz precisei sempre ser resgatada, precisei sempre que alguém me fosse buscar ao destino e me devolvesse ao mundo real, apesar de em cada um deles voltar para o mundo real fosse a coisa que menos me apeteceu. Com excepção do Caminho que fiz de ida e volta e que por isso parti e cheguei a casa de bicicleta e do Caminho que fiz a pé e no qual tomei a decisão de seguir sozinha e por isso só me fazia sentido apanhar o comboio e não depender de ninguém para me trazer de volta a um local onde estaria só eu, sempre precisei de alguém que me ajudasse no regresso, de alguém que me resgatasse dos dias de retiro e de Caminho. 
Aconteceu-me pela primeira vez trocar de posição e ser eu a resgatar alguém, a trazer de volta à realidade pessoas muitas especiais. Fui, voltei. Posso dizer que O Caminho é tão mágico que mesmo não o tendo feito a emoção de ver as nossas pessoas chegar é tão grande como se de facto tivéssemos mesmo vivido aqueles dias juntos.
Loira, a resgatada, mesmo quando vai resgatar consegue voltar de coração cheio. Que O Caminho nunca acabe e que nunca deixe de nos dar tempo só nosso, emoções especiais e sinais para as respostas ou para as perguntas que procuramos cá dentro. 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

A vida é feita de recomeços

É preciso voltar à vida real, aos horários e obrigações, às diversões no meio da rotina, aos dias a tentar fazer sempre mais e ter tempo para tudo. É preciso voltar ao trabalho, a casa e ao despertador. É preciso arrumar a casa, organizar gavetas e atirar pela janela aquilo que não nos faz falta. É preciso voltar a olhar para o relógio. É preciso voltar a pedalar quando dá, voltar a tentar ler sempre um pouco mais, voltar a planear e a sonhar. É preciso actualizar as listas das coisas a fazer, dos sítios para ir, dos locais a conhecer. A vida é feita de recomeços. E de pausas. A vida é feita de vontade de recomeçar depois de uma pausa muito necessária. A vida é feita de recomeços. É preciso até voltar a escrever. 

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Julgar o livro pela capa

É certo que o importante é o conteúdo, as páginas de história e de vida que acabaram de chegar. É certo também que já não consigo ler compulsivamente como o fiz em tempos, vou lendo e saboreando as páginas, já não as consigo devorar. Mas continuo apaixonada pelos livros, não saio de casa sem levar um comigo, carrego diariamente o peso da minha paixão, sem ele sinto-me nua, passeio-o também pela casa, como que trazê-lo comigo seja a coisa mais importante do mundo. Continuo a mimar e a cheirar os livros quando os recebo, continuam a brilhar-me os olhos a cada livro que acrescento à minha vida, continuo a dar importância a cada pormenor, depois de o cheirar tiro sempre o preço, não sou capaz de ter um livro com preço, os livros não têm valor, analiso a capa e a contracapa como quem inspecciona o Santo Graal da literatura, volto a cheirá-lo e guardo-o bem seguro com um sorriso verdadeiro e cheio de carinho, como aqueles que só se dão aos amigos. É certo que o importante é o conteúdo, as páginas de história e de vida que acabaram de chegar, os momentos agradáveis que vou passar com ele, as emoções, a aprendizagem, os pedaços de tempo e as vivências, mas ainda sim devia ser proibido comprar um livro com um capa e receber o livro com outra, as capas são o que por vezes nos fazem apaixonar, são uma parte do sentido que queremos dar à história, são uma forma de julgar o livro antes de o conhecer. Devolvam-me a minha capa, era aquela que eu queria. Que puta de mania que esta gente tem de estragar as capas dos livros.

domingo, 6 de agosto de 2017

Reler-me #38

Parem de dizer mal das vossas mulheres

Que vos ocupam o espaço todo no guarda-roupa, que têm malas que nunca mais acabam, que não sobra espaço nenhum no sítio dos cremes, que voam sapatos para todo o lado assim que tentam abrir a sapateira, que demoram uma eternidade a ficar prontas, que têm centenas de brincos e de pulseiras e de colares e de relógios e de óculos de sol, que não cabe mais nada em casa, que os casacos que possuem davam para abrigar meia África, que compram, e compram, e compram mais qualquer coisa e que ainda assim, nunca têm nada para vestir. Há pior, acreditem. Há mulheres que além de tudo isso ainda têm capacetes, sapatos de encaixes, colecção de jerseys e de meias coloridas até ao joelho, calções com almofadas no rabo, casacos para a chuva, para o frio, para o vento, óculos de ciclismo, luvas e manguitos. As vossas mulheres são umas santas, quando duvidarem disso lembrem-se de mim, eu sou a pior mulher do mundo, além de tudo o que mencionei em cima ainda compro livros, e mais livros, e mais livros. Parem de dizer mal das vossas mulheres, eu, ainda por cima, não sei cozinhar. 

Julho de 2015

sábado, 5 de agosto de 2017

Os meus livros #25 - Os chouriços são todos para assar (Ricardo Adolfo)





Sinopse 

Inspirado em casos irreais, Os chouriços são todos para assar é uma viagem em contramão pelas estradas secundárias do país, marcada por encontros com personagens encantadoras e situações delirantes.

Reler-me #37

O dia em que fugi de casa

Ainda não tinha dois anos e já eu achava que podia fazer o que bem me apetecia, fugi de casa. A minha família entrou em pânico, a minha mãe começou aos gritos, o meu pai a procurar-me, a minha avó dizem que rezava, a minha madrinha não sabia se havia de acalmar a minha mãe ou ajudar o meu pai a procurar, o meu tio agarrou a minha prima pela mão e foi na direcção oposta ao meu pai. Gritavam pelo meu nome mas eu não respondia. A minha mãe só chorava "Ai... a minha menina", "Ai... a minha filhinha". O pânico, o horror, a tragédia. Foram encontrar-me bem perto, estava no quintal da minha avó, sentada na terra a comer tomates directamente do tomateiro.

E como é que eu sei isto tudo? Porque até hoje, quando me perguntam o que quero lanchar e eu pergunto se têm tomate, quando peço tomate ao almoço ou ao jantar, ou quando estou a comer tomate e afirmo que sim, que adoro tomate, todos me contam (outra vez) a mesma história. O meu pai continua a rir-se de cada vez que se lembra da minha cara suja de terra e de satisfação, enquanto comia os tomates da minha avó.

Parece que sempre fui uma rebelde, houve até o dia em que fugi de casa, para poder comer tomates à vontade. 

Julho de 2015

terça-feira, 1 de agosto de 2017

“Sempre que vejo um adulto de bicicleta, volto a confiar no futuro da raça humana.” - Herbert George Wells

No sábado subi a um dos meu sítios preferidos do mundo e fiquei a contemplar a paisagem e a paz que se sente por lá. No domingo fui a mais um topo especial e mais uma vez fiquei por lá, a respirar e a viver intensamente a lentidão dos dias. Na segunda subi a um dos topos que mais vezes me acolhe e terminei o dia muito feliz. Na terça fui mais uma vez fazer a subida das subidas e cheguei a casa cansada. Na quarta fui só à minha pista, respirar o ar puro do final de mais um dia. Na quinta carreguei as luzes e fui num nocturno às festas da cidade vizinha comer e beber como se não houvesse dia seguinte. No sábado voltei à estrada e fui muito feliz. Ontem, mesmo doente, fui fazer a minha pista e regressei a casa bem melhor do que se tivesse ficado no sofá. Hoje já estou a pensar em equipar.
De tudo o que pedalar me dá de bom a liberdade de ir é sem dúvida o melhor.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Se uma Loira...

Na estrada da vida não és sempre a mesma pessoa, vais mudando, vais-te adaptando, vais aprendendo, vais-te moldando ao que a vida te obriga, vais-te tornando cada vez mais tu, porque tu és hoje exactamente aquilo que as curvas e contracurvas fizeram de ti. Na estrada da vida vai em frente, volta para trás, vira à esquerda ou à direita, segue a direcção que te parece bem na altura, larga os travões nos dias em que a velocidade for mais importante para ti ou trava a fundo se te parecer que é essa a opção que mais te convém, sobe com toda a garra do mundo se é de energia que vives naquele momento ou vai a passear se o que queres é aproveitar a paisagem.
Na estrada da vida segue o rumo e as opções que achas que tens de seguir, adapta-te, transforma-te. Na estrada da vida só nunca te esqueças da tua essência, porque é ela que te torna um ser único e especial.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Os meus livros #24 - A Purga (Sofi Oksanen)

SINOPSE

Em 1992 a União Soviética desmorona-se, e na Estónia é possível por fim saborear a liberdade e projectar o futuro. Todos migram para a capital e ninguém quer viver no campo. Ficam apenas os velhos, alguns bêbados e bandos de rapazes desordeiros. Aliide Truu, senhora idosa, vive alheada do mundo na sua casa numa aldeia despovoada, e passa os dias a ouvir rádio e fazer conservas de fruta. A aparente normalidade da sua existência é despedaçada numa noite de fim de Verão, quando a sua vida se cruza com a de uma jovem mulher que precisa desesperadamente da sua ajuda. Zara conta que trabalhava como empregada de mesa, e que anda fugida do marido violento. Nada disto é verdade. Ao inventar uma história para si, Zara espera conseguir esquecer o passado. Ao oferecer abrigo a Zara, também Aliide terá de confrontar o passado nebuloso, carregado de paixões, traições e vinganças. Para poderem sobreviver, ambas as mulheres terão de enfrentar e aceitar a verdade da sua história. E só então poderão também descobrir os inesperados laços que as unem. As vidas de Zara e Aliide, e das gerações de mulheres que representam, desdobram-se sobre o pano de fundo da ocupação soviética da Estónia e compõem um mosaico da sociedade europeia dos últimos cinquenta anos: a repressão política, o tráfico humano, a violência sobre as mulheres. É diante deste inquietante cenário que a vida fervilha e se desenrola um incrível drama familiar, pleno de rivalidade, culpa, desejo e amor.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Reler-me #36

Coisa triste de se dizer/escrever: Não sou a super Mulher.

Tenho esta mania de fazer discursos encorajantes, tenho esta mania de que posso tudo o que quero e consigo tudo aquilo a que me proponho, tenho esta mania de achar que se os outros conseguem eu também consigo e que se eu consegui estão toda a gente consegue, tenho esta mania de que o verbo desistir é inconjugável para mim. As coisas não são assim tão lineares, eu sei, mas verbalizar um "não consegui" é para mim impensável. Ou melhor, era, uma vez que estou prestes a fazê-lo. Em toda a minha vida ao pedal nunca desisti ou deixei os desafios a que me propus pela metade, podia estar muito mal, podia estar sem forças, podia até pensar não ser capaz de terminar mas sempre segui em frente e com isso sempre cheguei ao final. Todas as regras trazem excepção e a primeira surgiu com um problema mecânico que me fez abandonar uma maratona a meio, ainda assim, convencida de que sou sempre capaz de tudo não admiti que me levassem de carro, a mim e à bicicleta, perguntei onde era a estrada mais perto e segui por lá, convicta que nunca chegaria a uma meta ou a casa sem ser montada em cima da bicicleta. Mas às vezes o nosso corpo é bem capaz de trair a nossa mente e no ano passado tive de parar a meio de uma maratona e vir de carrinha embora, estava com falta de açúcar no sangue e simplesmente não consegui continuar, parei no ponto em que não consegui dar nem mais uma pedalada, até lá, juro que tentei, tal como tentei no passado sábado. Partimos de manhã bem cedo para uma longa viagem até à zona do Gerês, ir e voltar são mais de 100 km, mas nada de especial para nós, o dia não começou bem, furamos 3 vezes e isso atrasou muito a nossa viagem, estava demasiado calor e já durante a manhã estava a sentir-me sem forças, continuei sempre, chegamos ao nosso destino, cansados mas felizes, depois almoçamos e era só regressar, senti-me cada vez mais cansada, cada vez com menos forças mas continuei, os meus companheiros perguntavam se eu estava bem, eu dizia que sim mas não estava, ainda assim continuei e continuei sempre, fiz mais de 50 km até que tive de parar, estava tonta, a tremer e sem forças, com a tensão baixa de mais, parei com a ideia de descansar e continuar mas não consegui, não consegui recuperar e tive que chamar uma amiga para me levar a casa de carro, estava a uns 5 km de casa, sem subidas praticamente nenhumas e não consegui recuperar para pedalar até lá. Às vezes o nosso corpo é capaz de trair a nossa mente, por isso verbalizar este "não consegui" será importante, tenho que me convencer de que não sou a super Mulher.

Julho de 2014

terça-feira, 25 de julho de 2017

Quando nos morre um leitor

Não se deixem enganar, parece muito fácil manter o anonimato inicialmente, mas não é, há sempre os leitores especiais. Há os leitores que fazem perguntas, que pedem ajuda, que pedem informação, que querem saber mais, que querem fazer, que contam histórias, que contam a sua história, há os leitores que se identificam com algo, com um local, com uma frase, com um livro, com aquilo que escrevemos, com aquilo que somos. Há os leitores que lêem e que só por isso já sabem conhecer, já sabem interpretar, já sabem identificar aquilo que escondemos nas mais profundas entrelinhas. Há os leitores que conseguem entender uma fase boa ou uma fase má só de ler, ainda que aparentemente pareça fácil esconder, há os leitores que conseguem ver a tristeza disfarçada numa piada ou num post que parece banal, que conseguem perceber a ironia onde os outros vêem outra coisa qualquer. Há leitores que conhecem, que se importam, que o dizem, que fazem valer a pena.
Quando nos morre um leitor, desses especiais, o blog fica mais pobre, a escrita fica mais pobre, o(a) autor(a) fica mais pobre. Eu fiquei mais pobre. Até sempre Vítor.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Reler-me #35

Pedras no caminho?

Não as guardo todas. Um dia não vou construir um castelo. Pedras no caminho? É BTT puro e duro. Divirto-me com elas.

Julho de 2014

Os meus livros #23 - A herança de Eszter (Sándor Márai)



Sinopse


Durante vinte anos Eszter viveu uma existência cinzenta e monótona, fechada sobre si própria, esperando a morte e sonhando com o retorno de um amor impossível. Até ao dia em que, inesperadamente, recebe um telegrama de Lajos, o único homem que amou e graças ao qual encontrou, por um breve período, sentido para a sua vida. Grande sedutor e canalha sem escrúpulos, Lajos não só traiu Eszter como destruiu a sua família, tirando-lhe tudo o que possuía. Agora, depois de uma ausência prolongada regressa, e Eszter prepara-se para o receber comovida e perturbada por sentimentos contraditórios.