domingo, 22 de abril de 2018

Os meus livros #23 - Peregrino (Terry Hayes)




SINOPSE


Uma corrida vertiginosa contra o tempo e um inimigo implacável.


Uma jovem mulher brutalmente assassinada num hotel barato de Manhattan. Um pai decapitado em praça pública sob o sol escaldante da Arábia Saudita. Os olhos de um homem roubados do seu corpo ainda vivo. Restos humanos ardendo em fogo lento na montanha de uma cordilheira no Afeganistão. Uma conspiração para levar a cabo um crime terrível contra a Humanidade. E um único homem para descobrir o ponto preciso onde estas histórias se cruzam: Peregrino.






Para quem gosta de calhamaços,  para quem gosta de suspense, para quem gosta de emoções fortes, este livro é uma mistura de histórias, de vivências e de aprendizagens. Não consegui parar de ler as 650 páginas de ansiedade.

sábado, 21 de abril de 2018

Os meus livros #22 - O Amante (Marguerite Duras)





SINOPSE



"A narrativa fala das incertezas de uma adolescente que tem a sua primeira experiência do amor físico, se lança na travessia dos sentidos, e procura a libertação do domínio da mãe e da asfixiante relação que esta tem com o filho mais velho. Esta paixão adolescente decorre num cenário exótico, perverso, num fundo de lentidão e meandros asiáticos. " 









Comprei um pequeno lote de livros usados entre os quais estavam quatro da Marguerite Duras, este foi o primeiro que escolhi para ler e adoro-a, como já tinha constatado em leituras anteriores. O meu livro não tem esta capa, é a edição da biblioteca sábado e a imagem mais pornográfica também lhe fica muito bem, apesar de ser um livro que considero muito triste.  

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Calhamaço

Os livros não se medem aos palmos, toda a gente que os ama de paixão sabe disso, os livros não se medem pelas páginas, não se medem pelo peso, não se medem pela capa, não se medem pelo tempo que nos demoram a ler, não se medem pelo cheiro, embora tudo isso seja apaixonante nos livros. Os livros não se medem aos palmos, medem-se pelas emoções, medem-se pelos sentimentos, medem-se por aquilo que nos fazem e que nos mudam, toda a gente que os ama de paixão sabe disso, que os livros são capazes de mudar vidas, de nos mudar o mundo.
Os livros não se medem aos palmos, mas apesar disso não há nada como um bom calhamaço. Um calhamaço daqueles que nos pesa na mala, mas que nos deixa a alma leve. Um calhamaço daqueles que nos faz doer os braços de tanto ler, mas que nos faz sonhar. Um calhamaço daqueles que queremos muito acabar para saber o fim, mas que não queremos acabar porque cada frase nos parece o melhor do mundo. Um calhamaço daqueles intermináveis, mas que nos prendem a ele. Um calhamaço daqueles que lemos, e relemos e voltamos a reler, mas que há sempre algo de novo a descobrir. Um calhamaço que de tão bom se torna um dos livros da nossa vida. Um calhamaço daqueles que sabemos de cor, mas que tem sempre coisas escondidas nas entrelinhas. Um calhamaço daqueles que nos orgulhamos de ler, de ter e que nos sentimos especiais por isso.
Os livros não se medem aos palmos, toda a gente que os ama de paixão sabe disso, mas apesar disso, não há nada como um bom calhamaço. Na minha vida quero que sejas um calhamaço, desses, que nos ficam para sempre.

domingo, 15 de abril de 2018

Os meus livros #21 - A Casa de Papel (Carlos María Domínguez)

SINOPSE

Os livros mudam o destino das pessoas: Hemingway incutiu em muitos o seu famoso espírito aventureiro; os intrépidos mosqueteiros de Dumas abalaram as vidas emocionais de um sem-número de leitores; Demian, de Hermann Hesse, apresentou o hinduísmo a milhares de jovens; muitos outros foram arrancados às malhas do suicídio por um vulgar livro de cozinha. Bluma Lennon foi uma das vítimas da Literatura.
Na Primavera de 1998, Bluma, uma lindíssima professora de Cambridge, acaba de comprar um livro de poemas de Emily Dickinson quando é atropelada. Após a sua morte, um colega e ex-amante recebe um exemplar de A Linha da Sombra, de Joseph Conrad, em que Bluma escrevera uma misteriosa dedicatória. Intrigado, parte numa busca que o leva a Buenos Aires com o objectivo de procurar pistas sobre a identidade e o destino de um obscuro mas dedicado bibliófilo e a sua intrigante ligação com Bluma.
A Casa de Papel é um romance excepcional sobre o amor desmesurado pelas bibliotecas e pela literatura. Uma envolvente intriga policial e metafísica que envolve o leitor numa viagem de descoberta e deslumbramento perante os estranhos vínculos entre a realidade e a ficção.



Este é o melhor livro de sempre para quem gosta de livros, livros com alma em papel. Mais um que escolhi reler. 

sábado, 14 de abril de 2018

Os meus livros #20 - A Metamorfose (Franz Kafka)


SINOPSE


Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.


Franz Kafka é um dos mais carismáticos autores do século XX. O corpo das suas obras - na sua maioria, publicadas postumamente - destaca-se entre as mais influentes da literatura deste século. Os seus temas por excelência centram-se em torno do absurdo, da alienação, da obsessão e da culpa que geram nas suas personagens um sentimento de estranhamento. As suas obras definem uma boa parte do que ainda hoje se considera como «literatura moderna» e é considerado um precursor do realismo mágico. A Metamorfose (1912) narra o estranho caso de um caixeiro-viajante que uma manhã acorda transformado num monstruoso insecto.



Mais um que escolhi para reler, adoro-o de paixão e é só. 

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Ansião

Na mesma terra onde fui muito mal acolhida por alguém e onde prometi a mim mesma, ao sair, não voltar da mesma forma, tinha, pouco mais de um ano depois, pessoas à espera da minha chegada, para nos ajudar depois de uma queda, uma avaria e uma série de telefonemas a amigos e amigos de amigos e conhecidos de alguém. Assim que chegamos receberam-nos como se fossemos velhos amigos, tentaram ajudar em tudo o que podiam, ficaram à conversa connosco e desejaram-nos bom Caminho, com um carinho especial e um sorriso acolhedor. Saí novamente de Ansião com a certeza de que não devemos só voltar aos lugares onde fomos felizes, devemos também voltar aos lugares onde fomos infelizes e mudar isso, porque os lugares são aquilo que fazemos deles e podemos sempre fazer melhor, porque os lugares são as pessoas, são os momentos, somos nós.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Horas felizes

Fui, um destes dias, assistir a um concerto intimista de Sergey Onischenko que se realizou no Salão Nobre do Teatro Cinema da minha cidade. O músico Ucraniano chegou a nós vindo da Tanzânia, via Cairo, trazendo além do seu som, imagens e vídeos que projecta enquanto toca e nos fazem viver outras realidades, de uma forma tão intensa que por momentos me esqueci das pessoas, me esqueci da música, me esqueci do mundo e vivi nos países que Sergey visitou e filmou, onde se inspirou. Durante o concerto Sergey convidou o público a participar por diversas vezes com sons alternativos, misturando-os com as suas músicas e as suas imagens, a mim Sergey chegou com uma campainha de bicicleta, cor de rosa e pediu-me para tocar durante uma das músicas, eu fiquei mais que contente e pensei que se Sergey, no meio de todas as pessoas olhou e se dirigiu para mim com aquela campainha, é capaz de conhecer muito melhor o mundo do que aquilo que mostra através da música e das imagens. Horas felizes. Horas muito felizes.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Pessoas, digam adeus à Susana

Já aqui escrevi algumas vezes sobre ela, foi este blog que nos apresentou e as nossas tantas coisas em comum que nos uniram, os livros, as bicicletas, os gatos, os jerseys, as meias, O Caminho, a Joana. Eu gostava mesmo muito dela, tanto que se tornou ao longo do tempo uma das minhas melhores amigas e sempre que preciso uma grande confidente, estamos longe mas é como se estivéssemos perto, apesar da distância falamos praticamente todos os dias e conseguimos organizar-nos para estarmos juntas algumas vezes por ano, menos do que aquelas que gostaríamos, mas agora acabou tudo, agora não podemos continuar, agora a nossa amizade caiu num abismo irreversível. E porquê? Perguntam vocês. É fácil. A Susana sabe que sou uma pessoa fraca, sabe que não resisto a livros, sabe que tenho uma lista interminável de livros para ler e comprar, sabe que tenho imensos para ler a seguir lá em casa e nos quais ainda não toquei, sabe que prometi a mim mesma um milhão de vezes nos últimos tempos não comprar mais livros sem ler todos os que tenho, sabe que a wook não está a fazer entregas e que por isso eu estou quase a conseguir não comprar livros e o que é que ela faz? Além de me obrigar a comprar certos e determinados livros que ela leu e que diz que EU TENHO OBRIGATORIAMENTE DE LER ainda me adiciona a um MALDITO GRUPO DE TROCAS E VENDAS DE LIVROS USADOS, o que quer dizer que por culpa da Susana eu não comprei dois, nem quatro, nem seis livros nos últimos dias, eu COMPREI DEZ, DEZ LIVROS. E o que é que eu vou fazer agora? Matar a Internet? Não, não posso. Só me resta matar a Susana, a grande culpada desta tragédia, aquela que se dizia minha amiga para depois me fazer isto, aquela que eu gostava tanto. Pessoas, digam adeus à Susana. Susana, diz adeus às pessoas, és uma mulher morta. E por falar nisso, aquele acordo de... se eu morrer os meus livros ficam para ti, ainda se mantém, certo?

domingo, 8 de abril de 2018

Os meus livros #19 - A contadora de filmes (Hernan Rivera Letelier)


SINOPSE

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.

Esta é a história de María Margarita, uma rapariga que revela um dom especial para narrar as histórias dos filmes a que assiste. Sempre que estreia um novo filme na cidade, toda a população contribui para pagar um bilhete de cinema a Margarita. Depois do filme, a jovem conta o que viu, de uma forma apaixonada, encarnando as personagens e transmitindo as imagens, a música e toda a emoção do cinema. É então que passa a ser conhecida como a Contadora de Filmes. Hernán Rivera Letelier foi o vencedor do prémio Alfaguara 2010, com a obra El Arte de la Ressurección, um dos mais prestigiados galardões literários de língua castelhana. No Chile, o seu país de origem, é um dos escritores com maior êxito.




O que dizer deste livro? É simplesmente um dos meus preferidos de sempre e escolho-o para reler vezes sem conta. 

sábado, 7 de abril de 2018

Os meus livros #18 - O Falador (Mario Vargas Llosa)



SINOPSE


Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.


Romance de dois mundos e duas linguagens, O Falador, de Mario Vargas Llosa, é uma obra que de novo arrasta os leitores para o interior do universo de magia e exotismo próprio do grande escritor peruano. Trata-se de uma ficção que sistematicamente contrapõe os ambientes da selva e da cidade, espelhando desse modo duas atitudes opostas face à vida e aos seus valores. Um narrador moderno e racional e o contador de histórias de uma tribo amazónica asseguram e estruturam em alternância o desenvolvimento do relato.





Invulgar mas muito interessante, principalmente para quem gosta de aprender com os livros. 

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Primavera, meu Amor

Saí de casa com previsões de chuva e consciente de que voltaria molhada, tem sido assim sistematicamente, mas a vontade é mais forte do que a meteorologia por isso saio de casa mesmo assim, com uma ligeira diferença, não vamos para longe, ficamos sempre por perto, nas nossas montanhas, desta forma é fácil voltar a casa quando começar a chover a sério. Pensava eu.
Estávamos lá em cima, nas nossas montanhas e o tempo de regressar a casa eram no máximo quinze a vinte minutos a descer pela estrada quando começou a chover, fácil. Pensava eu.
Desta vez, porém, a chuva caiu torrencialmente, as temperaturas caíram até ficarem negativas, o vento ficou mais forte do que nunca e junto com a chuva fomos atacados por saraiva, tanta que cada pedrinha, cada pedra, cada pedregulho, cada calhau nos doía no corpo todo, as pernas não tinham força para lutar contra o frio e o vento e os braços já não os sentíamos, mal conseguiam controlar a bicicleta. A estrada ficou branca, vários centímetros de altura de pedras brancas, passou um carro e perdeu o controlo, despistou-se mesmo à nossa frente, estavam bem as pessoas lá dentro, continuamos a pedalar, qualquer paragem obrigatória poderia ser fatal, não havia um abrigo, só nós a lutar contra a tempestade. Já apanhei muita chuva, muita lama, muitas tempestades, já pedalei com saraiva, com neve, com as maiores intempéries, mas esta foi a primeira vez na minha vida ao pedal que pensei estar muito perto de não conseguir voltar a casa.
Continuamos a pedalar, como se disso dependesse a nossa vida, cheguei a casa num estado inexplicável, não conseguia sequer pegar na chave para abrir a porta e entrar, quando consegui fui directa ao banho quente e fiquei lá por tempo indeterminado, pensei só que no dia seguinte voltava lá em cima às minhas montanhas. E voltei. Obrigada Primavera, meu Amor.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

As Marias

Maria Julieta veio dos gatos de rua, abandonados e esquecidos por todos, chegou-me pela associação e logo me informaram que se a queria saudável e feliz teria de ser esterilizada, assim o fiz já que a amo de paixão. Maria Alice sentou-se à porta de minha casa a chorar, vinha com alguns traumas e completamente selvagem, ficou para sempre e como, obviamente a amo de paixão, também a quero saudável e feliz pelo que semana passada foi a operar, tal como a Maria Julieta havia sido.
Maria Julieta ficou sozinha em casa na terça de manhã, altura em que coloquei Maria Alice na transportadora e com o coração apertado a deixei na clínica veterinária, quando regressei a casa ao final do dia Maria Julieta chorava, gania, gemia, Maria Julieta saltava para cima de mim, agarrava-me os pés e as pernas, não me largava um segundo, dormiu toda a noite em cima de mim e pedia mimo e a Maria Alice claro, quarta saí de casa pela manhã a dizer-lhe para se aguentar forte que ao final do dia Maria Alice regressava e seríamos as três novamente felizes para sempre. Mas quando regressei e feliz da vida devolvi Maria Alice ao seu território natural, a nossa casa, Maria Julieta em vez de ficar feliz e contente e de matar todas as saudades que teve estranhou os cheiros trazidos por Maria Alice e quis matar-nos, às duas, a mim e à pequena preta que estava ainda em recuperação, ela bufava, ela berrava, ela corria, ela reclamava e eu lá tive de aguentar uma casa que mais parecia de doidos durante dois dias, altura em que Maria Julieta já começou a suspirar e a dormir abraçada a Maria Alice novamente e até de mim já voltou a gostar, que alívio. Finalmente a paz estava instalada em casa e as Marias e eu éramos novamente felizes, não fosse o caso de no dia seguinte eu ter de levar Maria Alice à clínica para a veterinária lhe tirar o penso e ver a cicatriz, foi o medo, o horror, o pânico, não podendo arriscar a mais dois dias de loucura entre gatas, meti as duas na transportadora, Maria Alice para ir à consulta, Maria Julieta para tomar conta da ocorrência, lavrar a acta, saber o que fazemos quando ela não está, não ficar com ciúmes e principalmente não estranhar os cheiros. A veterinária riu às gargalhadas e nós as três, eu e as Marias, voltamos para casa felizes e na paz das gatas. Ámen.

sábado, 31 de março de 2018

Os meus livros #17 - Marley & Eu (John Grogan)




SINOPSE


John Grogan compreende que a caminhada que as pessoas e os cães por vezes empreendem em conjunto são um reflexo de nós e do nosso mundo - da nossa própria humanidade, das alegrias e das tristezas e dos altos e baixos da vida.


Marley é um grande e notável cão e, pelas mãos de um escritor observador, racional e incisivo como Grogan, esta é uma jornada humano-canina que os apaixonados por cães vão querer percorrer. Espere rir, chorar e abanar a cabeça ao ler este livro.





Numa grande encomenda de livros entre os que afinal estavam esgotados e os que tinha de substituir e os que podiam fazer parte de promoções ou não Marley & Eu acabou por vir parar às minhas mãos e acabei por me deliciar com esta história do cão mais maluco do mundo.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Os meus livros #16 - O Aroma da Goiaba (Gabriel García Márquez e Plinio Apuleyo Mendoza)




SINOPSE


Numa série de entrevistas concedidas ao amigo Plinio Apuleyo Mendoza, jornalista e escritor como ele, García Márquez traça a trajectória que o levou de menino pobre de Aracataca à condição de um dos autores mais respeitados do século XX - estatuto que o Prémio Nobel de 1982 só viria ratificar. Publicado pela primeira vez em 1982, "O Aroma da Goiaba" permite-nos acompanhar o escritor enquanto este discorre, por exemplo, sobre a origem de "Cem Anos de Solidão", as suas opções políticas ou a relação com as mulheres. 






Um livro que me veio parar às mãos completamente por acaso e há alguns anos atrás e que ficou nos "para ler a seguir" por tempo indeterminado. Não apostava muito nele, mas acabou por se tornar uma boa surpresa, ideal para os fãs de Gabriel García Márquez que queiram saber um pouco mais sobre ele, porque no fundo isto não passa de uma grande entrevista. 

quarta-feira, 28 de março de 2018

O Tempo

Ano após ano por esta altura sinto-me em liberdade, quando os dias ficam maiores, mais quentes e o sol ainda brilha ao fim da tarde, equipo-me rapidamente no final de mais um dia de trabalho e percorro a minha pista, que se estende até à cidade vizinha, eu, a minha energia, a minha música, o ar puro e o vento na cara. Quando comecei a pedalar, já lá vão uns anos, aprendi a aproveitar cada pedacinho desta liberdade e sabia que entre sair de casa, percorrer este trajecto e regressar tinha duas horas só minhas, para me inspirar, para sonhar, para ter ideias brilhantes, para pensar nas minhas viagens, nos trajectos que sonho percorrer, nos livros que quero ler, nos temas que quero escrever, nas meias e equipamentos que quero comprar, mudou muita coisa na minha vida desde essa altura, desde o início das minhas pedaladas, mas não mudou a essência, isso seria impossível, as viagens, os trajectos, os sonhos, as ideias brilhantes e os pensamentos só se intensificam em mim. O tempo é que diminuiu, por estes dias entre a saída de casa, o mesmo trajecto percorrido e o de regresso, em vez das duas horas é apenas uma que agora tenho só para mim, e isso, só por si, além de motivador é bem capaz de ser também inspirador.

terça-feira, 27 de março de 2018

Os Livros não se medem aos palmos

Olhei para a minha estante e decidi que é chegada a hora de ir relendo ao sabor da vontade e das recordações alguns daqueles que fizeram o meu coração bater mais forte. Depois de algum tempo a percorrer cada um deles como se de um tesouro se tratasse, porque é assim que os sinto, peguei em A Contadora de Filmes, A Metamorfose e A Casa de Papel, sorri, não consigo dar certezas mas sou bem capaz de ter dado um suspiro ao pensar que estes são os livros mais pequenos que já li e cada um deles capaz de mudar vidas. Decidi que eram estes, esta semana vai ser especial.

Contar os dias

Uma das melhores coisas da vida é ter planos, preparar as coisas, pensar em todos os pormenores, preparar-nos. Gosto tanto de ter planos que por mim não cumpria nunca um objectivo sem ter outro no horizonte. Faço listas de sonhos para o futuro e não vejo a hora de começar a planear cada um deles. Uma das melhores coisas da vida é ter planos, olhar para o calendário e ter dias para contar. Faltam cerca de 60 dias agora, estou a respirar o intervalo entre o sonhar e o viver.

domingo, 25 de março de 2018

Os meus livros #15 - Uma questão de consciência (Ian Rankin)


SINOPSE

Ninguém gosta do departamento de assuntos internos da polícia - o «Lado Negro», como é conhecido no meio -, onde polícias investigam outros polícias. É aí que trabalha o inspetor Malcolm Fox, numa secção responsável pelos casos mais graves de racismo e corrupção. Enquanto a sua carreira vai de vento em popa, com mais uma investigação bem-sucedida e mais um polícia corrupto desmascarado, a sua vida pessoal deixa muito a desejar. Atormentado entre a culpa de ter internado o pai num lar e a impotência que sente face à situação da irmã, vítima de abusos constantes por parte do homem com quem vive, é-lhe atribuída uma nova missão: aproximar-se de Jamie Breck, um detetive suspeito de estar envolvido numa rede de pedofilia, sem que até agora tenha sido possível reunir provas para o acusar. Mas, à medida que Fox se envolve no caso, crescem as suspeitas de que as coisas não são tão lineares como o fizeram crer, e as dúvidas instalam-se, sobretudo quando um terrível homicídio ameaça destruir o frágil equilíbrio entre a sua vida profissional e familiar.




Depois de um livro muito duro nada como um bom policial para voltar à vida normal e esquecer um pouco o drama que alguns livros nos fazem sentir. 

sábado, 24 de março de 2018

Os meus livros #14 - Eu serei a última (Nadia Murad)

SINOPSE
Um testemunho íntimo de sobrevivência, uma história terrível e inspiradora.

A 15 de Agosto de 2014 a vida de Nadia Murad mudou para sempre. As tropas do Estado Islâmico invadiram a sua aldeia, onde a minoria yazidi levava uma vida tranquila, e levaram a cabo um massacre. Executaram homens e mulheres, entre eles a mãe e seis dos seus irmãos e amontoaram os corpos em valas comuns.

Nadia, que tinha então 21 anos, foi sequestrada e vendida como escrava sexual. Os soldados torturaram-na e violaram-na repetidamente até que, numa noite, conseguiu fugir pelas ruas de Mossul.

Para que não se esqueça, porque quer ser a última a vivê-la, Nadia conta a sua história.



O livro que todos deveriam ler, não aconteceu há 60 anos, não há nada de imaginário, é tudo tão verdadeiro, tão dramático, tão recente que este livro deveria ser de leitura obrigatória.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Se esta rua fosse minha...

Olhando para trás vejo ainda uma rua muito engraçada e acolhedora, assim que abria a minha janela de manhã via na paisagem os meus vizinhos, aquele que se levantava religiosamente às oito para nos ensinar sempre qualquer coisa, a que nos fazia soltar sempre grandes gargalhadas, a que passeava o cão disfarçado de tema do dia e pelo qual todos estávamos apaixonados, via passar as que levavam os filhos ao infantário ou à escola, as que escolhiam correr logo cedo e as que se apresentavam já com sapatos novos, grandes saltos, roupa a condizer, tudo último moda. Havia as que cotovelavam a vizinha para comentar as roupas afinal não tão giras assim e aquela cor de verniz completamente inadequada, havia as que se sentavam na esplanada a tomar café e a escrever poesia, as que liam, as que ouviam música, as que nunca víamos porque andavam sempre a viajar, as das dietas e os que escreviam para nos fazer suspirar. São incontáveis histórias, sorrisos, gargalhadas, são até lágrimas por vezes de que me lembro, são letras, palavras, frases, parágrafos, textos, são memórias de vida nesta rua feliz, sempre que se abriam as janelas, dia após dia.
Andam todos perdidos nesta rua, agora, cada um na sua vida, dizem que são mais livres e que agora fazem exactamente aquilo que querem, será assim, mas a verdade é que esta rua perdeu o bairrismo, perdeu a convivência, perdeu uma espécie de irmandade que nos unia, uma espécie de amizade que nos fazia uma família. Talvez não andem todos perdidos, talvez seja só eu, não sei. Sei que já não vejo nada quando abro a janela logo pela manhã e que numa rua assim não dá vontade de escrever, não dá vontade de viver. Volto a fechar a janela e tento mais uma vez.
Se esta rua fosse minha... eu mandava inspirar.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Os meus livros #13 - As nossas almas na noite (Kent Haruf)

SINOPSE
As nossas almas na noite é uma pequena jóia literária: uma história breve, comovente, agridoce, mas inspiradora e bem-humorada, sobre as segundas oportunidades na vida, mesmo quando parece ser tarde demais. 


Em Holt, uma pequena cidade do Colorado, Addie Moore faz uma visita inesperada a Louis Waters, seu vizinho. Viúvos, às portas da velhice, ambos tentam acomodar-se a uma vida diferente, nas casas agora vazias. O mais difícil de suportar são as longas noites solitárias. Addie não está disposta a aceitar uma vida tão cinzenta, e então propõe a Louis que ele passe a dormir em sua casa, para ambos terem alguém com quem conversar à noite. Perante tão inesperado convite, Louis não tem opção senão aceitar. Pouco a pouco, Louis e Addie vão despindo a alma nessas noites, revivendo os sonhos da juventude, as doçuras e amarguras do casamento, as esperanças do passado, os medos do presente. Noite após noite, os dois estão cada vez mais certos de querer passar juntos o resto dos seus dias. Neste aclamado romance, que terminou poucos dias antes de morrer, Kent Haruf retrata com ternura e delicadeza as segundas oportunidades e a emoção de redescobrir os pequenos prazeres da vida que podem ganhar um novo sentido mesmo quando parece ser tarde demais.



Tão bom, tão bom, tão bom que só posso dizer que devia ser obrigatório ler este livro. 

quarta-feira, 14 de março de 2018

O meu sorriso é Verde

Começou por um desejo que não consegui parar, não pensei muito sobre o assunto, há coisas que são inevitáveis, é como se já estivessem à nossa espera, à espera de acontecer finalmente, abriram-se fendas onde não existiam, abriram-se dores, abriram-se dúvidas mas nunca incertezas. Sigo confiante o caminho que escolhi para mim e sorrio, sorrio em verde, porque é verde o meu sorriso.

terça-feira, 13 de março de 2018

Os meus livros #12 - Morreste-me (José Luís Peixoto)



SINOPSE

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.


Morreste-me, texto que deu a conhecer o jovem escritor José Luís Peixoto, é uma obra intensa, avassaladora e comovente: é o relato da morte do pai, o relato do luto, e ao mesmo tempo uma homenagem, uma memória redentora.
Um livro de culto há muito tempo indisponível no mercado português.




Um livro pequeno demais para tudo aquilo que significa. Não aconselhado a pessoas mais sensíveis. 

segunda-feira, 12 de março de 2018

Uma cãopanhia muito especial

Saímos de casa para um voltinha soft e sem nada de especial planeado, o trajecto pensado foi subir os estradões das nossas serras e curtir uma tarde de sábado bem passada. Com poucos quilómetros no contador e logo no início da subida do troço encontramos um cãozinho que correu atrás das bicicletas, muito feliz. Confesso que por vezes sinto um pouco de medo dos cães, tanto de possíveis ataques como da possibilidade de provocarem uma queda, mas o, ou a, orelhas só queria brincar, e muito, muito mimo. Continuamos a nossa subida e o orelhas continuou atrás de nós, apesar de lhe tentarmos explicar que devia ir para casa, subiu connosco até ao topo da montanha, altura em que achamos que finalmente se tinha cansado e que voltaria a casa, estávamos muito enganados, assim que começamos a descer o orelhas ligou o turbo e fez a descida toda de gás colado e ao nosso lado, com as orelhas ao vento, a língua de fora e com uma alegria que é difícil explicar, já no fim da descida percebemos que era impossível o cãozinho voltar a casa sozinho e em vez de continuarmos pelo trajecto pensado seguimos pela estrada, pela alternativa mais perto e mais fácil da casa da nossa cãopanhia tão especial. Sempre ao nosso lado, sem querer beber a água que lhe dávamos e sempre de orelhas ao vento chegou a casa, depois de nos acompanhar por mais de 20 km e de ter uma tarde de sábado cheia de aventuras. Ele e nós, que adoramos a cãopanhia e a experiência.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Os meus livros #11 - Sono (Haruki Murakami)





SINOPSE


«Há dezassete dias que não durmo.»


Assim tem início a história que Haruki Murakami imaginou e escreveu sobre uma mulher que, certo dia, deixou de conseguir dormir. Pela calada da noite, enquanto o marido e o filho dormem o sono dos justos, ela começa uma segunda vida. E, de um momento para o outro, as noites tornam-se de longe mais interessantes do que os dias... mas também, escusado será dizer, mais perigosas.







Tão pequeno e tão intenso que é fácil pegar nele e ler de uma assentada. Onde nos leva a loucura, ou o que nos leva à loucura é a frase que se impõe enquanto as poucas páginas passam e a grande história avança. 

quinta-feira, 8 de março de 2018

Pray for people

Depois da minha aula de cycling e do meu tão merecido banho preparava-me para ir para casa depois de um longo dia quando ouvi chorar, chorar com vontade, chorar do fundo da alma. Era a Leonor, uma miúda que estava sozinha a um canto e que tinha lágrimas sentidas. Fui ter com ela, tentei acalmá-la, tentei perceber o que se passava com ela, voltei a tentar que ficasse mais calma, tentei que se esquecesse um pouco do que me tinha dito, brinquei com ela e ajudei-a a vestir-se. Entretanto outra senhora juntou-se a nós e ficou lá por um bocadinho. Quando saí tentei confirmar e perceber um pouco melhor a história da Leonor, era tudo verdade o que a Leonor me tinha dito, fui para casa tristíssima e ainda me entristeço sempre que penso nisso, vai acontecer sempre, o nosso mundo é abalado quando percebemos que uma mãe às vezes pode não saber sê-lo, de uma forma tão intensa que é assustador. Eu e a Leonor ficamos amigas, espero poder vê-la muitas vezes, espero poder ver-lhe o sorriso e não aquele rosto triste e aquelas lágrimas de alma.
No meio de toda esta história vim embora a olhar para trás, o balneário do ginásio estava cheio quando a Leonor chorava sufocada, só eu e depois outra pessoa é que fomos ter com a Leonor, é que quisemos saber o que se passava, é que tentamos ajudar de alguma forma. As outras pessoas que estavam no balneário são as mesmas que por estes dias mudam as fotos de perfil no facebook, muito solidárias com a Síria, como se mudar uma foto de perfil no Facebook fosse mudar alguma merda no mundo. Estejamos solidários, estejamos revoltados, façamos o que pudermos, por favor, mas se queremos mesmo mudar alguma coisa no mundo, não é com fotos de perfil que vamos lá. Se queremos mesmo mudar alguma coisa no mundo, comecemos por olhar atentamente para o lado, por perguntar aos outros se está tudo bem, por perguntar aos outros se precisam de alguma coisa, às vezes apenas um abraço ajuda, ajuda muito, foi o que bastou à Leonor para um grande sorriso, um abraço e a promessa de que podemos ser amigas.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Os meus livros #10 - Os Meninos que enganavam os Nazis (Joseph Joffo)



Sinopse


A luta pela sobrevivência contada por um menino judeu na França ocupada pelos nazis. Uma história verídica. 1941, Paris é uma cidade ocupada pelos exércitos nazis. o poder de Hitler controla a França; as perseguições e o medo pairam por todo o país. Joffo, um respeitado barbeiro judeu, decide dispersar a sua família de forma a evitar o destino cruel que os espera a todos.

Depois da fuga dos filhos mais velhos, perante o perigo sempre à espreita, Joseph, de apenas dez anos, e Maurice, de doze, deixam também a capital, entregues a si próprios, para tentarem escapar à brutalidade e à morte. Uma impressionante história autobiográfica, narrada pelo irmão mais novo, cuja espontaneidade, ternura e humor comprovam o triunfo da amizade, da generosidade, do espírito de entreajuda.





Apesar da repetição do tema, o qual nunca me cansa, este livro é completamente diferente de tudo o que já li sobre o assunto. Uma história que se sabe triste, mas que não deixa de ser feliz. 

terça-feira, 6 de março de 2018

Este blog não é sobre livros

É sobre mim. Mas acontece que depois de um ano com uma espécie de bloqueio de leitora voltei a ser eu e a ler os meus livros como quem come melancia fresca num dia de calor infernal. Este blog não é sobre livros, é sobre mim, mas eu sou feita de páginas, de histórias, de personagens, de locais, de capas, de cheiros, de imaginação, de paixão e de sonhos. Este blog não é sobre livros, é sobre mim, mas eu sou feita de livros. 

segunda-feira, 5 de março de 2018

Os meus livros #9 - Destinos e Fúrias (Lauren Groff)





Sinopse



À primeira vista, Mathilde é a mulher perfeita. Porém, todos os casamentos têm dois lados. Leia o bestseller do New York Times que conquistou o mundo. Todas as histórias têm duas versões. Todas as relações têm dois pontos de vista. Contudo, às vezes, a chave para um bom casamento não está na honestidade mas nos seus segredos. Lotto e Mathilde, jovens altos e bonitos de 22 anos, estão perdidamente apaixonados e destinados aos maiores sucessos. Uma década mais tarde, o casamento ainda é alvo das invejas dos amigos, mas a realidade afigura-se mais complexa e extraordinária do que as aparências dão a entender.






O livro que demorei um ano a ler e que esperou por mim, pacientemente. Muito, muito bom. 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

I Love Mondays

Sábado, 100 km numa bicicleta de estrada, entre montanhas e como meta um destino duro. Mais duro ainda foi o regresso. Que dor de pernas.
Domingo, 52.5 km de BTT puro e duro, com subidas intermináveis, descidas alucinantes, muita técnica e a passagem pelo que considero o meu topo do mundo.




Às segundas sim, às segundas posso finalmente sentar-me confortavelmente na minha cadeira do escritório e descansar. I Love Mondays.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Os meus livros #8 - As Mulheres de Summerser Abbey (T. J. Brown)

Sinopse
Centrado na vida de três jovens que procuram encontrar o rumo para o seu futuro, As Mulheres de Summerset Abbey é um romance histórico que retrata com rigor e pormenor os hábitos de uma classe e estilo de vida. Trata-se de uma história apaixonante ambientada numa das épocas mais fascinantes da história europeia.
 
Sir Philip Buxton criou três jovens num lar que desafiava a tradição. A filha mais velha, Rowena, aprendeu a dar valor às pessoas, não à sua riqueza ou posição social. Mas tudo aquilo em que acreditava vai ser testado na sequência da morte do pai, quando ela, a irmã e a sua amiga Prudence são forçadas a mudar-se para a propriedade do tio, Summerset Abbey.

Fisicamente frágil, mas com uma mente viva e ágil, Victoria sonha em frequentar a universidade e tornar-se botânica, à semelhança do pai. Mas este não é o único sigilo de Victoria, que acaba por descobrir um segredo de família que, se for revelado, tem o potencial de mudar várias vidas para sempre…

Prudence cresceu feliz ao lado de Rowena e Victoria, e o laço que as une é tão forte como se fossem irmãs. Mas ela é a filha da governanta e para o lorde de Summerset isso faz com que seja apenas mais uma entre os criados da propriedade. Prudence fica dividida entre dois mundos: o dos privilegiados e o dos criados, sem saber verdadeiramente qual o seu lugar no mundo.




Depois de ler a Sinopse não há muito mais a dizer, a não ser que As Mulheres de Summerset Abbey me veio parar às mãos numa troca com promoção e que quando o trouxe para casa nunca imaginei gostar tanto dele. Este é o livro ideal para quem gosta de contos históricos.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Os meus livros #7 - Fetiche (Tara Moss)



Sinopse


Makedde Vanderwall é estudante de Psicologia Forense e, nas horas vagas, modelo internacional. Contactada pela agência para realizar alguns trabalhos de moda e relançar a sua carreira, viaja até Sydney, aproveitando a oportunidade para visitar a sua melhor amiga, Catherine Gerber. Mas as passarelas e as intrigas do mundo da moda depressa perdem importância quando Mak tropeça literalmente no corpo mutilado da amiga. Catherine é a mais recente vítima do «assassino dos stilettos», um homicida cruel que sequestra as suas presas e as tortura, para em seguida as matar. Incapaz de se afastar da investigação, Mak ver-se-á enredada num mortífero jogo do gato e do rato, longe de saber que ela própria se tornou na obsessão de um sádico psicopata...





Quando estou muito cansada escolho livros que não leria noutras circunstâncias. Este é um policial bastante básico mas que foi óptimo para aqueles dias em que sabe mesmo bem ler palha. 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Os meus livros #6 - Dois irmãos (Milton Hatoum)

Sinopse
 Em Manaus, grande porto nas margens do rio Negro, na Amazónia, vivem-se as décadas douradas de Febre da Borracha, no dealbar do século XX. Na casa da família de Halim, a convulsão é de outra natureza. Yaqub e Omar são gémeos idênticos, nascidos no seio de uma família de origem libanesa. Parecem-se muito, mas por dentro são diametralmente diferentes. Yaqub é silencioso e introspectivo e passa o tempo com a cabeça enfiada em livros. Por seu lado, Omar, o preferido da mãe, é de caracter alegre e impulsivo. Une-os - ou separa-os - a paixão pela mesma mulher e a disputa pelo amor dos pais. Depois de alguns anos a viver no Libano, Yaqub regressa ao Brasil e instala-se numa vida de sucesso. Omar, pelo contrário, entre numa espiral de vícios, rancores, conflitos insolúveis e relações incestuosas. Há ainda Nael, filho da empregada da casa. Também ele tem os seus fantasmas e tenta, na busca, pela identidade do pai, reconstruir o seu passado. É ele quem nos conta a história do lento declínio da família, numa casa que se desfaz, imersa no sufocante calor da Amazónia, num quotidiano minado pela paixão, a vingança e o incesto. Da autoria das vozes maiores da literatura brasileira contemporânea, Dois Irmãos é uma tapeçaria de personagens inesquecíveis, um retrato vibrante de uma cidade e de um país em mudança, uma reflexão sobre o futuro que é possível reconstruir a partir das ruínas.



Uma grande história que não me conseguiu prender completamente por ser escrita em Português do Brasil. Mea culpa. 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Os meus livros #5 - Todo começo é Involuntário (Maria Isabel Moura)

 

Sinopse


Um romance frontalmente erótico, sim, escrito, assumido por uma mulher, que nos franqueia sem ambages o universo dos desejos, das práticas, dos prazeres femininos. Aliás na fronteira entre erotismo e pornografia, que é aliás difusa e mais ou menos convencional, para não dizer hipócrita. O que chama este romance para o terreno da literatura, salvando-o de qualquer semelhança com simples relatos de cama desenvoltos, é a qualidade da escrita. Em termos muito simples, Maria Isabel Moura é uma contadora de histórias da linha de Sade, de Henry Miller, de Anais Nin.








Uma mistura de romance, de erotismo e de pornografia que me veio parar às mãos por acaso e que mostra muito da psicologia humana.